Saúde intensifica prevenção a leishmaniose
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sexta-feira, 20 de junho de 2003
Caroline Vicentini<br>Reportagem Local 
O casal Cícero Francisco, 44 anos, e Maria de Lurdes dos Santos, 46 anos, representam dois dos quatro casos de leishmaniose tegumentar americana registrados este ano no Patrimônio Regina (zona sul de Londrina). Outros 24 já foram confirmados em Londrina e região em 2003. No ano passado, foram registrados 89 casos da doença no município. Na área urbana, a maioria dos casos foi detectada nas imediações do Parque Arthur Thomas (zona sul).
Desde o início da semana a equipe de educação em saúde da Secretaria Municipal de Saúde está realizando um trabalho de esclarecimento e prevenção a leishmaniose entre os moradores das chácaras, sítios e fazendas do patrimônio.
A leishmaniose, também conhecida como úlcera de Bauru ou ferida brava, é uma doença infecciosa, não contagiosa, causada pelo protozoário leishmania, através da fêmea do mosquito flebótomo. O inseto, que possui asas brancas e mede apenas dois milímetros, se contamina sugando o sangue contaminado de animais silvestres ou domésticos, principalmente cães e cavalos.
O flebótomo ataca em bandos e à noite, porém, segundo o coordenador da equipe, Célio Brito de Souza, também pode picar durante o dia num local de sombra, como um pé-de-bananeira.
De acordo com Souza, durante as visitas os moradores são orientados sobre os cuidados com a higiene da casa, formas de transmissão e tratamento. Também olhamos os animais para ver se eles não têm marcas de picada nas orelhas, mamas e focinhos, explicou. Dentre as principais formas de evitar a moléstia estão a instalação de telas nas portas e janelas; proibir animais dentro de casa; usar mosquiteiros nas camas e evitar passeio pela mata à noite.
A doença caracteriza-se pelo aparecimento de feridas arredondadas com bordas mais altas que a pele normal, profundas e avermelhadas. A ferida é de difícil cicatrização e se houver demora no tratamento pode se transformar em uma úlcera. A moléstia só é curada com a aplicação de ampolas medicamento cuja quantidade varia com o peso da pessoa.
Quando não tratada, ou tratada de forma incorreta, a ferida pode aumentar e dificultar ainda mais a cicatrização. Foi o caso de Maria de Lurdes. Segundo ela, como seu caso teria sido diagnosticado a princípio como furúnculo, as feridas em suas nas pernas foram medicadas com antibióticos, proibidos em casos de leishmaniose. As primeiras feridas apareceram há três meses e quase não coçavam. Mas, à medida que tomava os antibióticos, o meu estado de saúde piorava, relatou.
Apenas no final do mês passado ela recebeu o diagnóstico correto e está terminando o tratamento no Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O seu marido também foi picado pelo flebótomo e possui uma pequena lesão nas costas. Como lido com gado pensei que a ferida fosse berne, comentou. O casal disse que pedirá ao patrão que realize as adaptações na casa para evitar novas picadas do mosquito.


