Londrina é o quarto município paranaense em número de casos de tuberculose. No ano passado, foram 123 notificações. A estatística levou o Ministério da Saúde a incluir a cidade na lista das cem prioritárias para a campanha de prevenção à doença. Para a gerente de epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde, Sônia Fernandes, a campanha é importante para conscientizar os pacientes a cumprirem o tratamento.
Com o treinamento das equipes do Programa de Saúde da Família (PSF) na orientação em 2002, a taxa de abandono caiu de 15% para 2%. ''O paciente não segue o tratamento porque, depois de apresentar as primeiras melhoras, deixa de tomar a medicação'', destacou Sônia.
Esta triste regra não foi seguida pela dona de casa Aparecida Alves Balan, 44 anos. Após 44 anos, a moradora do Jardim Belo Horizonte (Zona Leste) se curou da tuberculose após um ano de tratamento seguido à risca. ''Eu sofria muito com a doença. Por isso, segui a medicação até o fim. É maravilhoso não ter que tossir o tempo todo'', afirmou.
De acordo com Aparecida, o diagnóstico de tuberculose foi feito somente um ano depois da contaminação. Além da tosse, ela apresentava outros sintomas característicos: desânimo, anemia, suores noturnos. ''Sofri muito com a doença, mas nunca enfrentei preconceito por isto'', garantiu. Outras características do quadro de tuberculose são febre baixa, dor no peito e nas costas e perda de peso.
Causada pelo Bacilo de Koch, a tuberculose é transmitida pelo ar. O contágio, no entanto, depende de contato diário com a pessoa contaminada, por duas horas ou mais, em ambiente fechado. ''Os principais locais de contágio são o ambiente de trabalho, escola e a própria casa'', explicou Sônia.
O tipo mais comum é a tuberculose pulmonar. Porém, outros órgãos como ossos, rins, intestino e cérebro, por exemplo, também podem ser atingidos. Os medicamentos são distribuídos de graça pelo Ministério da Saúde, através das Unidades Básicas. ''A distribuição não é feita indiscriminadamente porque o bacilo pode se tornar resistente aos antibióticos'', explicou.
A intenção de intensificar o número de notificações também tem uma explicação financeira. A portaria 1.474/2002 determina que o município receba R$ 50 por cada caso notificado da doença. Também prevê o pagamento de R$ 50 para o ínício do tramento e de R$ 200 no encerramento. ''Com o trabalho das equipes do PSF, acredito que a maioria dos casos em Londrina já deve ter sido notificada'', destacou a diretora de planejamento da Secretaria Municipal de Saúde, Rosângela Libanori.
Além dos 123 casos notificados em Londrina no ano passado, foram registradas seis mortes. Em 2002, foram 129 casos e também seis mortes. Em 2000, a cidade registrou 139 notificações e 10 mortes por tuberculose. As outras cidades parananeses da lista são Curitiba, Paranaguá e Foz do Iguaçu.

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