Uma equipe formada por seis técnicos da Secretaria de Estado da Saúde chegou ontem no município de Adrianópolis (133 quilômetros ao norte de Curitiba) para analisar os efeitos de resíduos de chumbo na saúde da população. Técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) estão analisando o impacto ambiental dos depósitos de escória (resíduo do processamento do minério de chumbo), que estão em uma área rural do município.
Toneladas do produto, que pode causar danos à saúde humana, continuam na Vila Mota, uma comunidade rural próxima de onde funcionava a Mineradora Plumbum, que encerrou suas atividades em 1996. Os resíduos foram vendidos a um serralheiro da região, que deveria revendê-los a fabricantes de baterias, mas o produto não é mais utilizado e ficou sem mercado. Não há nenhum cuidado com o depósito de resíduos de chumbo.
A equipe da Secretaria da Saúde que está em Adrianópolis é chefiada pelo epidemiologista Natal Jatai Camargo e deve concluir os trabalhos iniciais ainda hoje em Adrianópolis. O objetivo é avaliar a situação e definir estratégias para atendimento à população. De acordo com Eliseu Portugal, da 2ª Regional de Saúde, ‘‘vamos auxiliar o município até que a prefeitura consiga estruturar uma equipe para esse trabalho.’’
Resultados parciais de pesquisas desenvolvidas por nutricionistas da Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep) mostram que 55% das crianças entre 2 e 10 anos que moram na vila Mota têm índices elevados de chumbo no sangue. As pesquisadoras paulistas estão em Adrianópolis desde outubro de 2000. Uma pesquisa anterior, realizada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em várias localidades do Vale do Ribeira, só constatou elevação nos índices de chumbo em moradores da vila Mota.
Apesar disso, o vice-prefeito de Adrianópolis, Claudio Pedro de Lima (PSL), o Jipinho, defende uma permanência por mais tempo dos técnicos da Secretaria de Saúde no município. ‘‘Eles vieram para ficar só dois ou três dias, mas vamos solicitar que fiquem pelo menos 30 dias’’, disse. Segundo Jipinho, o ideal seria fazer uma triagem em 80% da população do município para constatar se a contaminação está mesmo restrita à proximidades da Plumbum. ‘‘Existem outros trabalhos que constataram a contaminação em pessoas que moram até mesmo na sede do município e não apenas na zona rural’’, afirma.
Adrianópolis tem pouco mais de oito mil habitantes. Desses, 1,2 mil moram na Vila Mota. A Secretaria de Saúde vai oferecer apoio logístico para que o município adote medidas preventivas. ‘‘Nossa função é prestar assistência inicial e oferecer as condições necessárias, inclusive remédios, para que os moradores da cidade que porventura estiverem contaminados pelo chumbo possam receber assistência’’, explica Portugal.
Técnicos que estiveram ontem em Adrianópolis identificaram uma nova mineradora na região. Foram coletadas amostras da água de um córrego que passa ao lado da área utilizada pela empresa. Os testes devem revelar se água está contaminada.

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