Saúde faz plano emergencial para Ortigueira
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quinta-feira, 03 de julho de 2003
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), voltou ontem ao município de Ortigueira (113 km ao sul de Apucarana) acompanhado do secretário estadual de Saúde, Cláudio Xavier. Eles foram ver de perto a situação do setor de saúde da cidade, para elaborarem um plano emergencial. Os dois também visitaram as reservas de índios caingangues de Queimadas e Mococa, ambas pertencentes à Ortigueira.
O município é o mais pobre do Paraná, com um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,620, enquanto a média estadual é de (0,786). Com a falta de recursos, a situação do município é muito difícil, principalmente na área da saúde. Ortigueira tem apenas um hospital público, com 38 leitos, para atender os cerca de 25 mil habitantes e os moradores de outro município, Imbaú. Para piorar, o Departamento de Saúde Pública da cidade possui apenas uma ambulância, modelo Caravan, de 1986, em péssimas condições, para fazer o transporte de pacientes.
O centro cirúrgico do Hospital São Francisco está desativado porque precisa passar por uma reforma para se adequar às normas da Vigilância Sanitária. Quando há a necessidade de se realizar alguma cirurgia, o paciente é levado para Telêmaco Borba, cidade que fica a 67 quilômetros de Ortigueira. ''Espero que o secretário se sensibilize com a situação da saúde na cidade, principalmente do hospital'', afirmou a diretora do Departamento de Saúde Pública, Janaína Farias. Ela também pediu à Xavier uma ambulância equipada com Unidade de Terapia Intensiva (UTI) móvel e aumento na cesta de medicamentos. ''Não estamos conseguindo arcar com essa despesa'', contou.
''Vamos nos tornar parceiros do município. Vamos fazer o possível para reabrir o centro cirúrgico e fazer melhorias no hospital. Também vamos mandar uma ambulância, mas a prioridade é a reestruturação do hospital'', prometeu o secretário.
Ele também disse que será implementado o Programa Saúde da Família nas aldeias. Em Queimadas, moram 104 famílias 626 pessoas, sendo a metade crianças. Ao contrário do que disse Requião anteontem, o índice de mortalidade infantil nas reservas não é de 50%. Este ano nasceram 7 crianças em Queimadas e uma morreu. Na cidade a média é de 34 mortes a cada mil nascimentos. ''Estamos levantando as dificuldades no setor de Saúde de Ortigueira e vamos zerar o problema da mortalidade infantil da cidade que é o dobro da média no Paraná'', garantiu o governador.


