Londrina – Se o slogan "Dengue Mata" parece não surtir mais efeito entre grande parte da população, a Secretaria de Saúde de Londrina adotou uma tática agressiva para chamar atenção para o problema. Na tarde de ontem, agentes de Endemias carregaram um caixão funerário com uma réplica do mosquito Aedes aegypti em tamanho ampliado. A cena chamou a atenção de quem passava pelo cruzamento das avenidas Leste-Oeste e Ruy Virmond Carnascialli, no Jardim Leonor (zona oeste).
Somente em janeiro deste ano, Saúde registrou 13 casos (12 autóctones e um importado) e 505 notificações da doença. Um novo boletim será divulgado hoje. O clínico geral Takeshi Sakuno, que participou da ação, explicou que Londrina está em estado de alerta, pois a situação deve piorar com a chegada das chuvas. "Há um previsão de epidemia na cidade. Ainda temos tempo de eliminar os focos antes que termine a estiagem. Por isso a importância do trabalho de prevenção", alertou.
No canteiro da avenida, as agentes fizeram uma pilha de tudo aquilo que não pode ser deixado ao tempo: pneus, embalagens plásticas, vasos, plantas que acumulam água da chuva. Quem passava recebia instruções de como proceder em cada caso. "Muita gente acha que para limpar um vaso é só jogar a água velha fora e colocar outra. É preciso lavar com bucha e sabão", orienta a agente de Gestão Pública, Lucimara Cândida Vasconcelos. Ela explica que o ovo do mosquito pode durar até 450 dias.
O presidente da Associação de Moradores do Jardim Leonor, Charrua e Marumby, Irineu Marques da Silva, participou da ação. Segundo ele, nos três bairros, que somam a população de 20 mil pessoas, a situação é crítica. "Não podemos descuidar. A gente observa que muitos estão relaxando e isso é muito perigoso."

Abandono
A diretora de Vigilância em Saúde, Mara Alice Zanetti, relatou que tem enfrentado problemas para concluir análises e estatística da doença na cidade. Segundo ela, das 505 notificações, 384 seguem pendentes pois os pacientes não retorna à Unidade Básica de Saúde (UBS) nos seis dias seguidos de monitoramento. "Os pacientes sentem uma melhora e deixam de receber o acompanhamento. Isto é ruim para as estatísticas e para a própria saúde deles", explica.
De acordo com Sakuno, abandonar o tratamento pode ser muito perigoso. "O quadro pode piorar depois que cede a febre. Então a sensação de alívio após os primeiros sintomas não quer dizer que o paciente está curado", adverte. Ele explica que quando não há a coleta do sangue para análise, geralmente no sexto dia, fica difícil fazer o mapeamento da doença.

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