Saúde faz campanha contra hepatite B
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de dezembro de 1998
Paulo Pegoraro 
Os altos índices de hepatite B no Oeste e Sudoeste do Estado, superiores aos de todas as demais regiões, obrigaram a Secretaria de Saúde a iniciar uma campanha intensiva de imunização, com postos de saúde abertos durante todo o dia de hoje. O alvo da campanha são jovens com menos de 15 anos de idade porque não há vacinas suficientes para toda a população. Esta faixa etária é a que menos tem contato com o vírus da doença, por isso é possível a prevenção. A imunização não ocorre em quem já tenha contraído o vírus.
Dos 1.040 casos de hepatite B registrados no Paraná no ano passado, 50% são de pessoas das regiões Oeste e Sudoeste. O tipo B é o mais grave, pois pode resultar em cirrose e câncer de fígado, e até em morte. Nos 23 municípios da 10ª Regional de Saúde, com sede em Cascavel, em 97 foram registrados 167 casos. Todos os tipos de hepatites virais constatados na região levam a descarte de mais de 40% dos doadores de sangue. A transmissão, além do sangue, ocorre nas relações sexuais.
O imunologista Denis Bertolini, da Universidade Estadual de Maringá, prepara tese de doutorado na Universidade de São Paulo, na qual investiga a possibilidade de que a saliva também transmita a doença. Não há resposta científica para os altos índices da hepatite na região.
Segundo Elfrida Andreazza, chefe do setor de Epidemiologia da 10ª Regional, a campanha que ocorrerá hoje em 92 municípios tentará reverter um quadro preocupante, verificado a partir da aplicação da primeira das três doses da vacina, em programa iniciado em agosto.
No âmbito da Regional, a meta era alcançar 111 mil adolescentes em cada etapa, mas na primeira foram apenas 80% e na segunda caiu 70%. Os baixos índices alcançados podem resultar em menos oferta de vacinas no próximo ano pelo Ministério a Saúde, segundo Elfrida.
Em clínicas particulares, as três doses custam em média R$ 150,00, o que torna a vacina inacessível para grande parte da população. No serviço público, a vacina não é cobrada. Por isso, estamos preocupados com o baixo comparecimento dos adolescentes, frisa Elfrida, chamanado a atenção dos pais para o problema. As vacinas, que são importadas, têm 100% de garantia de imunização e o único inconveniente em sua aplicação é uma dorzinha momentânea.


