Os agentes de saúde encerraram ontem um ciclo de 15 mutirões pela Zona Leste (cerca de 14 bairros) e Zona Sul (Jardins Pizza e Igapó) de Londrina. O objetivo foi reduzir o índice de infestação do mosquito Aedes Aegypti que atingiu o máximo de 3,3% em alguns bairros. Enquanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza 1,0%, Londrina obteve a média de 1,3%, identificado entre 7 e 11 de janeiro.
Baseados no Levantamento do Índice Rápido do Aedes (Lira), a Secretaria Municipal de Saúde descobriu que o principal criadouro do mosquito na Zona Leste são os quintais e na Zona Sul são os vasos de planta. Por isso, os agentes priorizaram a limpeza e conscientização, respectivamente, nestas regiões. Em 2008, Londrina registra oito casos de dengue (quatro autóctones e quatro importados), contra 824 confirmados ano passado e 80, em 2006. ''Ano passado, o Paraná apresentou recorde de infestação do Aedes. Entre 2006 e 2007, o Brasil registrou aumento de 51% de criadouros identificados. Londrina não poderia fugir à regra'', justifica Maurício Barros, diretor de saúde ambiental.
Para facilitar o monitoramento da infestação, a cidade foi dividida em 18 microregiões, sendo que metade apresentou índice superior a 1%. Em contrapartida, os bairros: Shangri-lá A e B, Jardins Leonor, Santa Rita, do Sol e Rosicler, Parque Ney Braga e o Conjunto Santa Rita reduziram a presença do mosquito a 0%. No Carnaval, a prefeitura distribuiu 5,5 mil panfletos educativos. Na opinião de Barros, os arrastões de limpeza e a informação são as armas mais eficazes contra a doença.
No próximo dia 16, cerca de 200 pessoas, de entidades religiosas diversas, entregarão 100 mil panfletos aos motoristas, nos principais semáforos da cidade. O mesmo trabalho será realizado, paralelamente, pelos leituristas da Sanepar, nas visitas domiciliares para obtenção do consumo de água. Uma semana antes da volta às aulas na Universidade Estadual de Londrina (UEL), os agentes de saúde encabeçarão uma varredura pelo campus. ''Graças ao apoio de 35 funcionários, previamente treinados e alertas, nosso trabalho será mais ágil. Parceria semelhante ocorrerá no Iapar, Copel, Embrapa e empresas privadas.
Água empoçada
Uma calha de água entupida, entre os edifícios Glória e José Garcia Villar (Centro de Londrina), pode abrigar ovos do Aedes Aegypti. Este é o medo dos moradores, representados pelo síndico Luís Eduardo Borges, no último ano. ''Acionamos várias vezes a Secretaria Municipal de Saúde, mas os agentes apenas desentopem a calha. A sujeira fica e ninguém se responsabiliza. Não conheço os responsáveis pelos estabelecimentos comerciais e pelo prédio vizinho. Sabemos que a obrigação não é nossa, mas estamos sendo prejudicados'', alerta.
N calha misturam-se poeira, folhas, papel e plásticos trazidos pelo vento mais as fezes das pombas. A reportagem da Folha não encontrou os síndicos vizinhos para comentarem o assunto. Barros afirmou que tentará solucionar o problema.

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