Saúde em Ibiporã: elogios e reclamações
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quinta-feira, 15 de maio de 2014
Viviani Costa<br>Reportagem local 
Ibiporã A prisão de quatro diretores do Hospital Cristo Rei, em Ibiporã, causou estranhamento e alívio entre os moradores da cidade vizinha a Londrina. O fato ocorreu em meio a suspeita de desvio de, pelo menos, R$ 3 milhões em verbas públicas destinadas ao hospital. Dois dias após as prisões, alguns moradores que procuraram atendimento no Pronto-Socorro do Cristo Rei ainda desconheciam o assunto. A dona de casa Letícia Tatiana Ribeiro fez questão de reforçar os elogios à assistência médica. "Procurei atendimento ontem para a minha mãe e não demorou; ela foi internada pelo SUS. Aqui é sempre bom", comentou.
O silêncio entre os funcionários paira pelo hospital. Ninguém quer se pronunciar sobre o assunto. Os atendimentos ocorrem normalmente. Para a costureira Rosemari Aparecida, a investigação não causou surpresa. Ela reclamou que apenas um médico permanecia de plantão no PS na noite de quarta-feira. "Cheguei aqui à 6 horas da tarde de ontem (quarta-feira) e estou saindo agora (10 horas de quinta-feira). O meu filho precisava de atendimento e esperou mais de 4 horas só para fazer a triagem. Só tinha um médico e uma enfermeira para atender tudo: convênio, SUS, maternidade e pronto-socorro", afirmou.
Na cidade, apenas o Hospital Cristo Rei, filantrópico, realiza parte dos atendimentos pelo SUS. A instituição é mantida pela Associação da Santa Casa de Ibiporã e recebe R$ 253 mil de repasse da prefeitura.
Já na rede municipal, das oito unidades básicas de saúde, cinco estão em reforma e funcionam em espaços cedidos ou alugados. Mesmo com o improviso, as aposentadas Ana Arcaide e Olinda Rosa Jesus elogiaram a assistência médica. "Tanto o posto como o hospital funcionam bem", avaliou Ana. "Sempre tem médico, às vezes demora, mas sempre sou bem atendida", disse Olinda.
Reformas
O posto de saúde da região central permanecerá fechado em alguns períodos nos próximos dias por conta da capacitação de servidores. A reforma completa dos espaços começou em janeiro e só deve ser concluída no início do ano que vem.
A prefeitura acompanha de longe as investigações conduzidas pelo Ministério Público. De acordo com a assessoria de comunicação da Prefeitura, o convênio entre o município e o hospital foi mantido por 16 anos até o aumento no número de queixas relacionadas aos atendimentos. A prefeitura oficializou um novo contrato em abril deste ano e a comissão nomeada para acompanhar as atividades ainda não se reuniu para avaliar o primeiro mês de contrato.
A secretária de Saúde de Ibiporã, Leilane Rodrigues, preferiu não comentar os contratos relacionados ao hospital e afirmou que a rede municipal possui 42 médicos entre clínicos gerais e ginecologistas. "A nossa maior dificuldade é contratar pediatras e psiquiatras. No mais, o número existente é suficiente", garantiu.
A prefeitura mantém o posto de saúde central aberto aos sábados e domingos, para reduzir a procura no hospital. Para a secretária, o momento da rede de assistência é crítico, já que há reformas nas unidades e campanhas de vacinação contra HPV e gripe, além do combate a dengue. "A população precisa ter paciência", concluiu.


