SAÚDE EM CRISE - Servidores peregrinam em busca de médico
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terça-feira, 27 de fevereiro de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Uma verdadeira peregrinação em busca de tratamento médico. Assim os servidores definem o serviço prestado pelo Sistema de Assistência à Saúde (SAS), em Londrina. Na última quarta-feira, a auxiliar de enfermagem Valda Viana Malicheski sentiu-se mal e procurou a Santa Casa, responsável pelos atendimentos de urgência e emergência do convênio dos servidores estaduais. Depois de ser examinada por um funcionário da enfermaria, que detectou um caso de pressão baixa, ela foi encaminhada ao ambulatório do SAS para o tratamento.
''No ambulatório, ela foi atendida rapidamente por um dos médicos de plantão, que pediu que ela retornasse à Santa Casa para tomar soro'', contou o marido da servidora, o consultor de vendas Miguel José Malicheski.
Segundo ele, Vanda recebeu o primeiro diagnóstico, na Santa Casa, por volta das 15 horas. Uma hora depois, já no SAS, foi atendida pelo plantonista em menos de dez minutos, mas ao retornar à Santa Casa, permaneceu à espera de tratamento até às 18h45. ''Acabamos desistindo de esperar.''
A colega de Valda, Cleide Aparecida Ribeiro Oliveira, viveu uma experiência parecida, e um tanto quanto traumática. Em janeiro, a auxiliar de enfermagem foi contaminada por uma bactéria do tipo estafilococo, em decorrência de uma sinusite. Ela procurou o SAS em busca de tratamento e foi encaminhada à Santa Casa, já que seu caso foi considerado de emergência.
''Na Santa Casa, eu fui avaliada por um enfermeiro, que me mandou de volta para o SAS'', relembrou. No ambulatório, Cleide foi atendida por outro plantonista, que avaliou o caso novamente como de urgência e pediu o internamento imediato. ''Demorou uns cinco dias para eu ser finalmente internada.''
Durante os 20 dias de hospital, Cleide mudou de quarto três vezes. ''Fui reclamar e a direção da Santa Casa disse que iria cobrar pelo quarto, já que eu fazia tanta questão de não mudar de lugar. Eu disse que não pagaria nada porque o pagamento do quarto é responsabilidade do convênio.''
Depois de quase dois meses sem poder trabalhar em decorrência da infecção - ela ainda está de licença, em recuperação -, Cleide finalmente teve alta no início da semana passada. Nos dias de internação, ela reuniu documentos para formalizar uma reclamação ao convênio e à diretoria da Santa Casa.
''O tratamento na enfermaria foi muito ruim. Várias vezes recebi a medicação errada e até deixei de receber antibiótico porque eles diziam que o hospital não tinha'', disse a servidora, que só conseguiu agendar um retorno com um especialista do SAS para daqui a dois meses. ''Fui tratada por um infectologista, mas não consegui um retorno com ele, que preferiu me encaminhar para um otorrino.''
Cleide continua tomando antialérgico e antiinflamatório para facilitar a respiração. ''Quando fui internada precisei de um antiinflamatório porque meu corpo já tinha criado resistência aos outros seis antibióticos diferentes que havia tomado até descobrirem o problema.''
Os afetados questionaram ainda que tipo de acordo existe entre o SAS e a Santa Casa. ''Queremos a volta do atendimento digno ao servidor'', declarou Miguel Malicheski, que irá organizar um abaixo-assinado para pedir respostas aos problemas enfrentados diariamente pelos servidores estaduais na busca por tratamento médico.


