O número de médicos trabalhando no Paraná, 16.819 segundo o Conselho Regional de Medicina do Estado, resulta na média de um profissional para cada 611 paranaenses. Média razoável se comparada à brasileira, que é de um médico para cada 555 habitantes de acordo com dados do Conselho Federal de Medicina (CFM).
No entanto, a má distribuição desses profissionais pelos 399 municípios do Estado resulta em atendimento deficitário nas pequenas cidades. Os médicos preferem trabalhar nos grandes centros. Com isso, cidades como Curitiba - que tem um médico para cada 225 habitantes - e Londrina - proporção de um para cada 319 habitantes - têm índices comparáveis a de países com grande investimento na Medicina, como a França, que para cada 300 franceses tem um médico.
Enquanto isso, em cidades menores, os prefeitos penam para contratar e a relação médico por habitante fica muito distante de poder ser chamada de ''primeiro mundo''. Entre os entraves para o maior número de profissionais nas cidades menores está a Emenda Constitucional 41, de 2003, que diz que os servidores municipais não podem ter salários superiores ao do prefeito. Poucos médicos se interessam por salários de R$ 4 mil ou R$ 5 mil para trabalhar em cidades pequenas.
Em Catanduvas (50 km ao Sul de Cascavel), os 9.578 habitantes contam com apenas três clínicos gerais - 1 médico para cada 3.192 habitantes. É o pior índice entre os 20 municípios pesquisados pela FOLHA. Nessa conta não entra o médico que trabalha na Penitenciária Federal e se dedica exclusivamente ao atendimento dos detentos, que hoje são menos de 200.
''Em 2006, fizemos um concurso para contratar médicos, porém houve denúncias de fraudes e só agora, em 2008, saiu uma liminar judicial dizendo que poderíamos convocar os dois aprovados. No entanto, eles não apareceram para assumir o cargo'', informou a secretária de Saúde de Catanduvas, Noeli Cavichon.
Segundo ela, o salário oferecido aos aprovados era de aproximadamente R$ 5 mil. ''Não podemos pagar mais do que ganha o prefeito. Com isso ninguém se interessa'', lamentou. A solução encontrada foi abrir licitação pública para contratar um médico como se fosse uma empresa. Fica com a vaga aquele que oferecer o menor preço.
''A nossa expectativa é pagar em torno de R$ 8 mil para o médico que vamos contratar. Estamos precisando de mais um profissional e devemos fechar a contratação até o mês de agosto'', comentou a Noeli. O próximo contratado de Catanduvas também será clínico geral. Todos os atendimentos com especialistas, inclusive pediatras e ginecologistas, são feitos em Cascavel.
Em Quitandinha (72 km a Sudoeste de Curitiba), a rotatividade de médicos é tamanha que os concursos são realizados praticamente todos os anos, segundo a secretária de Saúde do município, Jaqueline Ribas da Cruz. No último concurso, no início de 2008, três médicos foram aprovados. A nomeação aconteceu em maio, mas uma das contratadas já desistiu. Questionada sobre o ''entra e sai'' de médicos, a secretária é enfática. ''Preciso de mais um clínico geral e um pediatra, porém tenho que pensar na população e administrar o orçamento, que é curto'', enfatizou.
Na cidade, oito médicos trabalham na rede básica de saúde e se revezam nas 17 unidades de atendimento, 15 delas na Zona Rural, onde está 70% da população do município, cuja base da economia é a agricultura de subsistência. O orçamento para a saúde dos 15 mil habitantes é de R$ 3 milhões por ano, ou R$ 250 mil por mês. Cada médico ganha salário praticamente igual ao do prefeito, R$ 7,6 mil. O pagamento dos oito profissionais consome 25% do orçamento para a saúde de Quitandinha, que tem índice de médico por habitantes de 1 para cada 1.445.

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