Saúde e Sindserv divulgam números contraditórios
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sexta-feira, 27 de dezembro de 1996
Lucília Okamura 
O prédio administrativo da prefeitura estava praticamente vazio ontem, no quarto dia de greve dos servidores municipais que trabalham no local. Já com relação ao setor de saúde, cujos funcionários aderiram ao movimento na terça-feira, há uma divergência quanto ao número de postos que estão fechados.
O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv) garante que dos 35 postos localizados na área urbana, apenas oito estão funcionando. O superintendente da Autarquia Municipal de Saúde (AMS), Sílvio Fernandes da Silva, diz que 21 estão abertos e apenas 14 fechados. Os 20 postos de saúde da zona rural estavam fechados ontem, em determinação a uma portaria da AMS, mas devem abrir normalmente a partir de hoje, segundo Sílvio Fernandes.
Sílvio Fernandes acredita que o grande número de postos abertos proporciona uma situação de mais segurança para a população. Acredito no direito de fazer greve, mas a população não pode ser prejudicada, pois tem direito aos serviços básicos, afirma.
Dos quatro maiores postos de saúde (que funcionam 24 e 16 horas), continua paralisado apenas o localizado no jardim Leonor (zona oeste). O posto de saúde do jardim União da Vitória (zona sul), fechado nos dois primeiros dias de greve, estava aberto ontem. Já o centro de saúde José Belinati (área central) está atendendo somente casos de emergência. O centro de saúde do conjunto Maria Cecília (zona norte) não aderiu à greve desde o início.
O diretor geral da Maternidade Municipal de Londrina, Ari Parreira, diz que o atendimento está sendo normal. Segundo ele, o movimento apenas está reduzido devido à reforma que está sendo realizada no prédio. Dos 300 partos que acontecem mensalmente na maternidade, ele acredita que atualmente estão sendo realizados 120.
O presidente do Sindserv, Gláudio Renato de Lima, explica que hoje será realizada uma assembléia, em frente ao prédio administrativo, para fazer uma avaliação do movimento. Ele revela que será discutida também a possibilidade de realizar manifestações contra a administração do prefeito Luiz Eduardo Cheida, nos dias 31 deste mês e 1º de janeiro.
Gláudio de Lima informa que apenas alguns funcionários da secretaria da Fazenda foram liberados para fazer a folha de pagamento do pessoal da frente de trabalho, que recebe hoje. Cerca de 1.500 pessoas atuam na frente de trabalho.
Os servidores decidiram entrar em greve devido ao atraso no pagamento do 13º salário, que deveria ter sido efetuado no dia 20 deste mês. Os funcionários receberam R$ 200,00 cada. A folha de pagamento dos 4.500 servidores é de cerca de R$ 4,5 milhões. Os servidores que trabalham no prédio e do setor de saúde somam aproximadamente três mil pessoas.


