Saúde e meio ambiente se aprendem brincando
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quarta-feira, 21 de março de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
''Meu pé tá cheio de barro, mas tô muito feliz.''. A frase da dona-de-casa Quitéria das Nevez Silva, 64 anos, resume bem o sentimento dos moradores do Jardim São Marcos, na Zona Sul de Londrina. Eles estão prestes a ganhar uma rede coletora de esgoto depois de uma década dependendo de fossas.
Ontem, a Sanepar promoveu a Tarde de Sensibilização Sobre Saúde e Meio Ambiente no bairro, marcando o início das comemorações do Dia Mundial da Água, celebrado hoje. Em parceria com o (Serviço Social do Comércio (Sesc), foram montados brinquedos diversos para divertir as crianças, que também participaram de uma trilha ecológica. Nos panfletos entregues à população, foram inclusas informações sobre o funcionamento da rede coletora de esgoto e o tempo de decomposição dos diferentes materais na natureza.
Segundo a assistente social da Sanepar, Angela Maria de Melo Pagani, as ações de conscientização da população ocorrem em todos os bairros que recebem saneamento básico. ''O programa 'Viva a natureza, se ligue na rede', da Sanepar, realiza trabalhos de educação sócio-ambiental, divulgando o uso correto do sistema de esgoto, para que ele não venha a se tornar um prejuízo para as famílias.''
Para a moradora Marli Pereira de Moraes Menezes, as brincadeiras foram uma boa forma de alegrar a criançada. ''As crianças estão adorando, nunca aconteceu isso antes no bairro.''
Ela vive no Jardim São Marcos desde a formação do assentamento e já está cansada de conviver com a sujeira em frente de casa. ''Passo um sufoco porque as fossas vivem vazando no quarto dos meus filhos. Não vejo a hora de instalarem o esgoto para melhorar a saúde deles.''
Ricardo Araújo, secretário da Associação de Moradores do Jardim São Marcos, informou que a instalação do esgoto tem sido pleiteada pela população do bairro há quatro anos. ''A maioria das famílias depende de fossas e como os terrenos são cheios de pedras, as fossas não chegam a um metro de profundidade'', afirmou. Segundo o secretário, as fossas acabam transbordando e prejudicando a estrutura das casas.
''Também já foram registrados casos de hepatite B e meningite, em 2002 e 2006'', recordou Araújo, ressaltando que com a implantação da rede de esgoto, ''o fundo de vale que antes parecia o piscinão de Ramos quando chovia, será transformado num campo de futebol para as crianças''.
''Além do asfalto, que seria entregue em abril, mas teve a implantação prorrogada por causa das chuvas e não tem data definida para sair, nós reivindicamos também a construção de um salão comunitário'', disse Araújo.
Segundo ele, o bairro conta hoje com cerca de 160 famílias e sofre com problemas como alcoolismo e drogas. ''Graças a Deus não tem violência, mas temos priorizado ações de combate ao alcoolismo e à dependência de drogas junto aos jovens.''


