Cambé – As áreas essenciais da saúde e educação são as mais afetadas pela greve dos servidores municipais de Cambé (Região Metropolitana de Londrina), que entra hoje no 15º dia. A paralisação começou no dia 14 de abril. Os funcionários reivindicam reajuste acima da inflação, bônus salariais e melhores condições de trabalho.
Segundo a Secretaria Municipal de Educação, somente uma escola e um Centro de Educação Infantil paralisaram totalmente as atividades. A pasta, no entanto, admite que outros colégios têm funcionado parcialmente, em virtude da ausência de professores e zeladores.
A Escola Municipal Irmã Hilda Soares, localizada no Jardim Novo Bandeirantes, tem 505 alunos e está fechada desde o primeiro dia da greve. Um cartaz no portão principal informa aos pais o fechamento em razão da paralisação dos servidores. "Fica complicado ter que ficar com ela em casa o dia todo. Sem aula, ela também não tem outra atividade. E a grande preocupação é a greve se estender e acabar prejudicando o ano letivo", frisou a vendedora Sunamita de Souza, de 31 anos, mãe da Emilly Vitória, 9, aluna do quarto ano. "Quase todos os dias tenho ido à escola para ver se as aulas voltaram. Não gosto de ficar só em casa", contou a menina.
A falta de aulas prejudica até o comércio da região. Saulo Gabriel reclama que o movimento na sua loja, que fica quase em frente à escola, caiu bastante após o início da greve. "Os estudantes representam uma parcela significativa da nossa clientela. Sempre que acaba as aulas eles vêm aqui para comprar algum item do material escolar e tirar cópias", frisou. Cambé tem 17 unidades de ensino, entre escolas do ensino fundamental e centros de educação infantil, e 600 professores. No total, são 8 mil alunos matriculados na rede municipal.
Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 Horas do Jardim Tupi, o número de pacientes era grande na tarde de ontem. Um comunicado na entrada da unidade informava aos pacientes que, em virtude da greve dos servidores, o atendimento estava sendo realizado com um número reduzido de funcionários.
A aposentada Maria Aparecida dos Santos, de 64 anos, aguardava atendimento desde as 9 horas da manhã. Reclamando de formigamento no lado esquerdo do corpo, a moradora do Jardim Ana Rosa revelou que esta foi a primeira vez que o atendimento demorou tanto na unidade. "Já vim aqui outras três vezes e foi bem mais rápido. Talvez hoje seja por conta da greve mesmo", relatou. "Comecei a passar mal na noite de domingo e não consigo sentir a minha perna. Já reclamei da demora, mas até agora não fui atendida."
A direção da UPA não quis se manifestar sobre a demora no atendimento. A Secretaria Municipal de Saúde informou que remanejou funcionários de outras unidades básicas para prestarem serviço na UPA.
A Prefeitura de Cambé informa que firmou um contrato emergencial para a contratação de profissionais de serviços gerais e que ontem mesmo esses funcionários já foram distribuídos nas escolas e nos postos de saúde.

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