Saúde diz que não tentou
esconder intoxicação
A última funcionária do Hospital de Dermatologia Sanitária a receber alta, depois de passar pela intoxicação alimentar que atingiu funcionários e pacientes, foi uma auxiliar de enfermagem chamada Roseclair, que permaneceu internada até sexta-feira. Um funcionário diz que ela ainda não estava em condições de receber alta, mas que foi retirada às pressas da instituição porque a imprensa iria fazer matéria no local. A suspeita é que a intoxicação alimentar tenha sido provocada por uma maionese contaminada pela bactéria salmonela, servida no almoço do dia 6.
A Secretaria da Saúde confirmou que a última alta de paciente aconteceu na sexta-feira, mas ela contestou a acusação dos funcionários de que o hospital tentou esconder o caso e só comunicou a Vigilância Sanitária depois de dez dias. Segundo a secretaria, já no dia 7, quando começaram a aparecer os sintomas de diarréia, vômitos e náuseas, foi feita coleta de material em seis pessoas para exames, tendo tido resultado positivo para a maionese em cinco destes casos. Assim que saíram os resultados, a vigilância teria sido comunicada, segundo a secretaria.
De acordo com os funcionários, a Vigilância Sanitária só foi chamada depois que o surto já havia atingido 32 pessoas. ‘‘Primeiro eles disseram que era só um problema localizado, que seria resolvido logo’’, disse Vilmar Rios, do Setor de Manutenção. Eles alegam, ainda, que muitas pessoas contaminadas com a bactéria da salmonela continuaram trabalhando na enfermaria e na cozinha, colocando mais vidas em risco.
O diretor do Centro de Saúde Ambiental da Secretaria de Estado da Saúde, Isaías Cantonha Luiz, disse que a secretaria está treinando o pessoal da cozinha do hospital para que seja modificada a produção de alimentos.
Ele afirmou que comidas são raramente doadas à instituição, e quando isso acontece, somente são consumidos produtos cuja data de validade ainda não está vencida.
Quanto aos ratos, nada está sendo feito. Segundo ele, a vigilância não encontrou nenhum local de acesso aos animais no prédio, o que contradiz o Sindsaúde. (M.G. e M.M.)

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