Kraw PenasToni Reis: ‘‘Foi um equívoco dos responsáveis pela embalagem’’A falta de controle de qualidade prejudicou a distribuição de porta-preservativos, cada um com uma camisinha, para a campanha de Carnaval do Ministério da Saúde. Das 2 milhões de unidades que deveriam ser distribuídas à população, cerca de 25% eram apenas caixinhas vazias ou com pedaços de papelão.
A empresa Clichepar, de Curitiba, responsável pela produção e emabalagem dos porta-preservativos, disse ter checado as caixinhas por amostragem. ‘‘A Clichepar não estabeleceu um controle de qualidade e não fez checagem. Se fez por amostragem, deveria ter descoberto a falha antes da distribuição’’, acusou ontem o diretor da agência Master em Brasília, Pedro Arlant. A Master foi contratada pelo ministério para fazer a campanha publicitária e a distribuição dos preservativos.
A agência vai fazer a reposição de unidades onde aconteceu o problema. Até ontem, quase todos os porta-preservativos já haviam sido distribuídos para ONGs e secretarias de saúde.
Os preservativos foram embalados por cerca de cem presos da Penitenciária Central do Estado, em Piraquara. A Clichepar fez um convênio com a penitenciária e pagou R$ 5,00 por cada mil preservativos embalados (R$ 3,00 ficariam para os presos e R$ 2,00 para o presídio).
‘‘Seria difícil isso ocorrer na penitenciária. Quem garante que o erro não foi da transportadora que levou os preservativos até São Paulo?’’, rebateu o assessor do Departamento Penitenciário do Estado (Depen), Flávio Buchmann.
Segundo ele, os porta-preservativos saíram em caixas lacradas do presídio e a responsabilidade pela conferência era da Clichepar. A diretoria do Depen determinou a apuração de irregularidades no presídio, mas até o início da noite de ontem ainda não havia nenhum indício de fraude. ‘‘É muito difícil esconder 200 mil unidades’’, disse Buchmann.
A ‘‘fraude do papelão’’, como foi chamada em São Paulo, também foi detectada em Curitiba. O Grupo Dignidade recebeu 4 mil porta-preservativos, mas 40 embalagens estavam vazias. ‘‘Foi um equívoco dos responsáveis pela embalagem’’, avaliou o presidente do grupo, Toni Reis.
A Clichepar enviou no início da noite de ontem uma nota de esclarecimento alegando que ‘‘a inexistência de preservativos nas embalagens deve ser debitada, exclusivamente, aos encarcerados’’. Procurado pela reportagem da Folha, o diretor da Clichepar não retornou a ligação até o fechamento desta edição.

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