Saúde distribui caixas sem camisinhas
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terça-feira, 17 de fevereiro de 1998
Guilherme Pupo 
Kraw PenasToni Reis: Foi um equívoco dos responsáveis pela embalagemA falta de controle de qualidade prejudicou a distribuição de porta-preservativos, cada um com uma camisinha, para a campanha de Carnaval do Ministério da Saúde. Das 2 milhões de unidades que deveriam ser distribuídas à população, cerca de 25% eram apenas caixinhas vazias ou com pedaços de papelão.
A empresa Clichepar, de Curitiba, responsável pela produção e emabalagem dos porta-preservativos, disse ter checado as caixinhas por amostragem. A Clichepar não estabeleceu um controle de qualidade e não fez checagem. Se fez por amostragem, deveria ter descoberto a falha antes da distribuição, acusou ontem o diretor da agência Master em Brasília, Pedro Arlant. A Master foi contratada pelo ministério para fazer a campanha publicitária e a distribuição dos preservativos.
A agência vai fazer a reposição de unidades onde aconteceu o problema. Até ontem, quase todos os porta-preservativos já haviam sido distribuídos para ONGs e secretarias de saúde.
Os preservativos foram embalados por cerca de cem presos da Penitenciária Central do Estado, em Piraquara. A Clichepar fez um convênio com a penitenciária e pagou R$ 5,00 por cada mil preservativos embalados (R$ 3,00 ficariam para os presos e R$ 2,00 para o presídio).
Seria difícil isso ocorrer na penitenciária. Quem garante que o erro não foi da transportadora que levou os preservativos até São Paulo?, rebateu o assessor do Departamento Penitenciário do Estado (Depen), Flávio Buchmann.
Segundo ele, os porta-preservativos saíram em caixas lacradas do presídio e a responsabilidade pela conferência era da Clichepar. A diretoria do Depen determinou a apuração de irregularidades no presídio, mas até o início da noite de ontem ainda não havia nenhum indício de fraude. É muito difícil esconder 200 mil unidades, disse Buchmann.
A fraude do papelão, como foi chamada em São Paulo, também foi detectada em Curitiba. O Grupo Dignidade recebeu 4 mil porta-preservativos, mas 40 embalagens estavam vazias. Foi um equívoco dos responsáveis pela embalagem, avaliou o presidente do grupo, Toni Reis.
A Clichepar enviou no início da noite de ontem uma nota de esclarecimento alegando que a inexistência de preservativos nas embalagens deve ser debitada, exclusivamente, aos encarcerados. Procurado pela reportagem da Folha, o diretor da Clichepar não retornou a ligação até o fechamento desta edição.


