A Secretaria Municipal de Saúde de Londrina informou ontem que o Parque Arthur Thomas, a maior área verde da cidade, não corre o risco de ser interditado ou fechado por causa do aumento dos casos de leishmaniose, doença transmitida pelo mosquito flebótomo, que vive nas matas. O local é apontado com o principal foco de concentração do inseto. Cerca 80 pessoas estão com a doença no município de Londrina.
De acordo com a diretora de Epidemiologia e Saúde Ambiental, Mara Ferreira Ribeiro, a doença está sob controle. ‘‘As pessoas precisam apenas ficar atentas e usar repelentes ao visitar o parque. Mas não temos motivos para interditá-lo, já que não há como erradicar o mosquito’’, disse.
A diretora-técnica da Autarquia do Meio Ambiente (AMA), Silvia Saadejian, disse que o trabalho do órgão é exclusivamente de conscientização. Ela garantiu que isto está sendo feito, inclusive com a distribuição de folhetos nas escolas. ‘‘Estamos fazendo a nossa parte. A interdição ou não do parque é de responsabilidade da Secretaria de Saúde’’, afirmou.
No ano ano passado foram registrados 64 casos de leishmaniose em Londrina. Neste ano, já foram notificados 43 casos na zona urbana e 34 na zona rural. Entretanto, a Secretaria de Sáude informou, que a maioria dos casos notificados na zona urbana tem o histórico epidemiológico na zona rural. Ou seja, foram detectados em pessoas que desenvolveram atividades nas matas, como por exemplo, a pesca e a caça.
Os casos de leishmaniose registrados em Londrina são do tipo ‘‘ tegumentar americana’’, menos grave que a leishmaniose visceral que ano passado dizimou centenas de cães em Araçatuba (SP). As consequências da leishmaniose tegumentar americana podem levar à morte porque ela destrói as partes do corpo que têm mucosa. A doença se manifesta através de uma ferida de difícil cicatrização.
Vítimas da doença reclamam que as campanhas de conscientização sobre a prevenção da doença são pouco divulgadas. A professora aposentada Maria Aparecida Almeida contou que o seu pai, o aposentado José Antonio de Almeida, 80 anos, teve a doença há dois anos sem que tenha frequentado uma área de risco, como por exemplo um parque. ‘‘Quase não temos informações sobre a doença porque não existem campanhas específicas. A gente só tem conhecimento da gravidade do problema quando alguém da família sofre com ela’’. O aposentado precisou tomar 80 injeções para se curar.
Segundo Mara Ribeiro, a Secretaria de Saúde desenvolve campanhas para alertar sobre a doença. A Polícia Florestal, que é responsável pela profilaxia e detecção dos focos de mosquitos no parque, informou que não tem um levantamento sobre a situação no local. A Folha apurou que há quatro meses um policial florestal foi picado pelo flebótomo e contraiu a leishmaniose. (Colaborou Lúcio Flávio Moura)

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