Arapongas- A lagarta Lonomia abliqua, comumente encontrada nas regiões Sul e Sudoeste do Paraná, foi achada em um assentamento de Arapongas (Norte). A descoberta da taturana, única espécie peçonhenta identificada no Brasil e que já causou seis óbitos no Estado, colocou a Secretaria de Saúde do Município em alerta.
Segundo o biólogo Norberto Assis Membrive, responsável técnico pelo laboratório de Entomologia da secretaria, já foram encontrados 221 exemplares de Lonomia no assentamento Dorcelina Folador. A primeira colônia foi identificada em março de 2007. No ano passado também foram encontradas outras duas colônias, nos meses de setembro e novembro. Este ano já foram identificadas duas colônias, em fevereiro e abril, no mesmo local.
''Ao todo foram visitadas 115 localidades, 92 lotes e 23 fazendas antigas do assentamento, à procura de focos de lagartas'', disse Membrive, explicando que a Lonomia se desenvolve principalmente no Sul do País, especialmente entre os meses de novembro e março, quando o clima é quente.
Membrive observou que a presença da lagarta na região é bastante rara. Tanto que na região de abrangência da 16 Regional de Saúde (que engloba 17 municípios) ela foi encontrada apenas em Arapongas. Segundo o biólogo, a hipótese mais provável é que a taturana chegou até o município através do transporte passivo - pelo homem. ''O pessoal do assentamento veio de várias regiões do Paraná e a lagarta pode ter vindo em forma de ovos, nas folhas de árvores.''
Desde o primeiro caso de acidente com Lonomia no Paraná, registrado em 1998, já ocorreram outros 29, entre os quais seis óbitos - um deles em Tamarana (Norte). A última morte aconteceu em Clevelândia (Sudoeste), em março, quando uma mulher encostou o braço numa lagarta que estava no tronco de um pessegueiro, não resistiu à hemorragia e morreu.
Toxina
Segundo o biólogo, a taturana possui glândulas que liberam uma toxina, que pode levar à morte por hemorragia. Ela só é peçonhenta na fase larval. Membrive disse que a lagarta pode ser identificada por sua coloração marrom-claro-esverdeada ou marrom-amarelada. Um exemplar mede entre seis e sete centímetros de comprimento, tem o corpo revestido de espinhos ramificados, como um pinheiro, e possui três listras longitudinais no dorso, imitando um U, de cor castanho-escura.
A Lonomia tem hábito gregário e só vive em colônias. As mariposas adultas, tanto o macho quanto a fêmea, só vivem 15 dias e não se alimentam, pois têm a boca atrofiada. ''Após a fecundação, a fêmea faz a postura dos ovos nas folhas das árvores, que eclodem depois de 15 dias. Nos primeiros estágios de vida, a lagarta se alimenta de folhas até migrar para o tronco da árvore. No quarto estágio já vive próximo à terra, em meio ao humus e folhas secas'', relatou o biólogo. A demora é de dois meses para a lagarta virar pupa e em mais um mês, a pupa se transforma em borboleta.
Os acidentes ocorrem normalmente quando a lagarta vive mais próxima do solo, em árvores silvestres como cedro, figueira do mato, ariticum, aroeira e ipê ou frutíferas como ameixeira, pereira, pessegueiro e abacateiro. Conforme Membrive, o contato com os espinhos causa dor e queimação seguida de vermelhidão, náuseas e vômito. As manifestações hemorrágicas podem aparecer entre oito e 72 horas após o contato, sendo comuns manchas escuras pelo corpo, sangramento pelo nariz, gengiva, urina e em ferimentos recentes. ''Os casos mais graves podem evoluir para insuficiência renal aguda e morte.''
Segundo o biólogo, já existe um soro feito com o próprio veneno da lagarta que aplaca os sintomas de mal-estar em caso de acidente. ''Como detectamos focos da lagarta, informamos todos os hospitais e disponibilizamos o soro'', afirmou Membrive, assinalando que os verdadeiros parceiros da Saúde são os moradores, ''que andam pelo sítio o dia todo''.
''As fezes da lagarta são um indicador de que há uma colônia no local'', completou o biólogo. Isto porque as lagartas se camuflam nos troncos das árvores, dificultando a identificação. ''Depois de coletadas, as Lonomias são enviadas ao Centro de Controle de Envenenamentos de Curitiba e, posteriormente, ao Instituto Butantã, em São Paulo, onde é produzido o soro'', concluiu Membrive.
Serviço- Mais informações sobre a lagartas Lonomia no Laboratório de Entomologia da Secretaria de Saúde de Arapongas, pelo telefone (43) 3902-1068.

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