Papanicolau, mamografia e outros exames devem fazer parte da rotina de saúde da mulher. Muitas não procuram por esses serviços e há algumas que até procuram, mas encontram sérias dificuldades para realizá-los, isso quando o médico lembra que eles são necessários. Essa é a realidade das mulheres com deficiência.
Para discutir essa e outras questões foi realizado ontem pela manhã na Universidade Norte do Paraná (Unopar), em Londrina, o 1º Fórum de Atenção Multiprofissional à Saúde da Mulher com Deficiência. O evento reuniu profissionais e alunos de fisioterapia e representantes da comunidade e contou com a presença do secretário municipal da Pessoa com Deficiência e Acessibilidade José Giuliangeli de Castro. Algumas mulheres com deficiência também puderam dar seus depoimentos e mostrar como é o dia a dia de um cadeirante.
Elizete Rodrigues do Prado teve poliomielite aos três meses de idade e desde então a cadeira de rodas se tornou necessária. Para ela o importante é criar vínculos de amizade com os profissionais da Unidade Básica de Saúde (UBS), para não esperar muito pelo atendimento. ''Se tiver um vínculo o primeiro passo está garantido, mas não é possível fazer isso com todos os profissionais de Londrina. Se a gente quiser ser incluída tem que passar por coisas boas e coisas ruins'', pondera.
Elizete disse que faz mamografia e também o Papanicolau, apesar de dar um pouco de trabalho. ''Mas eu gosto de dar trabalho. Na primeira, segunda, terceira vez eles pegam a gente no colo, na quarta providenciam uma rampa'', contou, rindo. Estudante de Serviço Social, ela pretende se dedicar às pessoas com deficiência depois de formada.
Kelly Cristina de Melo também não tem uma rotina fácil. Há oito anos um tumor na medula fez com que ela perdesse os movimentos e agora também depende da cadeira de rodas. ''Quando preciso fazer algum exame eu ligo antes para saber se o local é acessível. As pessoas respondem que sim, pois pensam que acessibilidade é ter rampa ou elevador, mas vai muito além. Quando eu chego no lugar a cadeira não passa na porta. Já ouvi de funcionários que eu ia atrasar todos os atendimentos por causa da minha necessidade'', reclamou.
Especialização
Professora de Fisioterapia da Unopar e organizadora do Fórum, Adriana Paula Fontana Carvalho trabalha com a saúde da mulher e conta que faltam profissionais especializados, assim como equipamentos. ''A mulher com deficiência não tem problemas apenas para ficar em pé. Dependendo da lesão ela precisa que a maca ginecológica seja ajustada para que o exame possa ser realizado corretamente. Precisamos de macas mais largas e mais baixas e também de profissionais treinados para fazer esses exames'', explica.
A professora alerta também que muitas vezes a cadeirante não é encaminhada para o ginecologista, simplesmente porque esquecem que ela ainda tem necessidade de realizar um acompanhamento com esse profissional. ''Por isso os profissionais de fisioterapia e outros médicos precisam estar alertas também para lembrar de fazer esse encaminhamento. O Fórum é uma oportunidade de mostrarmos que esses problemas existem e tirarmos propostas para quem sabe termos uma UBS especializada neste atendimento.''
A fisioterapeuta e também professora Viviane Costa ressalta que a mulher com deficiênia neurofuncional tem maior incidência de infecções urinárias e também evolução mais acentuada de perda óssea, levando à osteoporose. Muitas acabam tendo fraturas de cabeça de fêmur por conta do problema e necessitam de próteses de quadril, mas como não andam, acabam não sendo prioridade na fila para cirurgia.
''Depois que se tornam cadeirantes as mulheres interrompem o acompanhamento com o ginecologista e deixam de fazer tratamentos hormonais e exames preventivos para o câncer. Por isso os profissionais de saúde precisam ter uma visão global'', destaca.

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