Cento e vinte agentes a serviço da 17 Regional de Saúde (RS) iniciaram, ontem, a instalação de armadilhas contra o mosquito da dengue em Londrina e outros 21 municípios da região. A ação está sendo deflagrada com mais de cinco meses de atraso em relação ao planejamento da Saúde, que atribuiu a demora a problemas burocráticos.
Pela manhã, o chefe da 17 RS, Gilberto Martin, acompanhou uma agente durante a colocação de armadilhas no Jardim Marabá, na Zona Leste região de maior incidência do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypt. Ele acredita que a resistência de moradores quanto à instalação dos equipamentos não será problema. ''Os agentes pedem permissão aos moradores para colocar as armadilhas no interior das casas. E eles estão sendo bastante receptivos, mesmo porque muitos já foram vítimas da dengue'', afirmou.
A dona de casa Gracieli Elaine Souza Gomes, 18 anos, ficou surpresa com a visita da agente, mas colaborou prontamente quando soube que a armadilha ajudaria no combate à dengue. ''Minha irmã, que mora aqui, já teve, e muitos vizinhos nossos também. A gente cuida bem do quintal para evitar o mosquito, mas ainda assim fica com medo de uma nova epidemia'', observou. A armadilha é colocada no interior da residência, em um ponto escuro, ou no quintal da casa, se não residirem crianças ou animais no local.
Martin estima que o período de instalação dos equipamentos dure de uma a duas semanas. Serão 15 mil armadilhas espalhadas por 260 polos, com distância de 600 metros entre cada um. Segundo ele, a princípio, foram selecionados os locais com maior concentração populacional. ''Depois dos primeiros resultados, que devem sair até o dia 6 de janeiro, vamos avaliar se há necessidade de estender as armadilhas para outros polos urbanos'', explicou. De acordo com Martin, a área rural não foi contemplada por apresentar menor risco de infestação. ''Esperamos que essa ação no perímetro urbano impeça a expansão do Aedes aegypt para a área rural''.
As chamadas ''armadilhas ovitrampas'' consistem em potes de água com infusão de feno. Atraída pela substância, a fêmea do mosquito transmissor deposita os ovos em uma palheta colocada dentro do pote. A água é tratada com larvicida, para impedir o avanço no ciclo de vida do mosquito e evitar riscos para os moradores. Uma vez por semana, os agentes de Saúde recolherão as palhetas para análise. Além de servir para uma coleta de dados mais apurados sobre a infestação, as armadilhas também colaboram diretamente no combate ao mosquito. ''Ao invés de depositar os ovos em outros pontos da residência, o Aedes deposita na armadilha'', apontou o coordenador de controle da dengue, Rodrigo Capobianco.
O coordenador alerta que cada residência receberá a visita de apenas um agente, devidamente uniformizado, que ficará responsável pela instalação da armadilha e pelas manutenções semanais. ''Assim o morador saberá identificar o agente e não ficará exposto a riscos de segurança'', completou. As armadilhas permanecerão instaladas durante um ano.
As armadilhas são mais uma estratégia na tentativa de não repetir a epidemia registrada no início do ano. Até agora, 11.880 casos suspeitos foram notificados e 5.833 pessoas contraíram a doença. Depois do inverno, apenas um caso de dengue foi confirmado no final de novembro em uma paciente que teria contraído a doença fora da cidade.
Segundo a gerente de epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde, Sônia Fernandes, houve um pequeno aumento de notificações nas últimas semanas já esperado em virtude do clima. Atualmente, a secretaria tem recebido uma média de 20 notificações dia. No auge da epidemia, o número chegou a 400. (Colaborou Adriana Savicki)

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