Vinte crinças, com idade entre zero e 14 anos, do município de Adrianópolis (133 quilômetros ao norte de Curitiba), terão que se submeter a cuidados médicos mais apurados por apresentarem níveis médios de intoxicação por chumbo -de 20 a 35 microgramas por decilitro. O tratamento deverá ser iniciado por volta da segunda ou terceira semana de dezembro em Curitiba. A Secretaria de Estado da Saúde está procurando hospitais que possam atender essas crianças. No total, 336 crianças fizeram o exame de plumbemia (nível do metal no sangue).
O médico sanitarista da Secretaria de Estado da Saúde, Natal Jatai de Camargo, informou que essas crianças terão que ser internadas para exames mais aprofundados como raio x de punho, quantidade de ferro no sangue, exames parasitológicos, neuropsicomotor e testes de Quociente de Inteligência (QI), já que a contaminação pode causar lesões do sistema motor e retardo mental. ''Depois de toda essa avaliação é que se definirá a necessidade de usar substâncias que forçam a retirada do chumbo no sangue'', explicou.
Na maioria das crianças (229), o nível de chumbo não ultrapassou 10 microgramas por decilitro, o que, segundo Camargo, é considerado normal. Elas serão submetidas apenas a tratamento para combater verminoses e melhorar a alimentação, já que o grande problema é a desnutrição. Os níveis de chumbo nas outras 97 crianças ficaram entre 10 e 20 mg/dl, considerada intoxicação baixa. Elas serão encaminhadas para tratamento médico no próprio município.
A população de Adrianópolis passou a ser examinada por técnicos da Saúde em maio deste ano, depois que foram identificados depósitos irregulares de resíduos de chumbo no município. Mais de 1,2 mil pessoas se submeteram a exames clínicos e nutricionais. Quase metade delas (581) apresentou alterações clínicas, principalmente anemia e desnutrição.
Venceu ontem o prazo dado pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para as empresas Plumbum do Brasil Ltda., Companhia Brasileira de Alumínio e as mineradoras São Braz e Perau, responsáveis pelos depósitos, retirarem o material da área. Segundo o secretário de Estado de Meio Ambiente, José Andreguetto, apenas a Plumbum não respeitou o prazo e será acionada judicialmente. As demais já apresentaram planos para retirada dos resíduos, que estão sendo avaliados pelo IAP.

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