Saúde bucal na terceira idade
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sexta-feira, 02 de setembro de 2011
Micaela Orikasa <br> Reportagem local 
Com a ascensão da população idosa no Brasil - 7,4% dos mais de 190 milhões de brasileiros (Censo 2010) - a sociedade em geral tem se preparado para atender as especificidades desses indivíduos. Nos consultórios odontológicos não tem sido diferente, pois a procura para tratamento de problemas bucais por homens e mulheres acima de 65 anos também tem revelado um aumento.
Diante desta realidade, além do diagnóstico e tratamento, os profissionais devem estar aptos a orientar os acompanhantes e cuidadores para que eles possam realizar a higiene bucal corretamente e prosseguir com o tratamento em casa, se necessário.
A clínica geral Maria Eugênia Marques Guerra, especialista em Endodontia, Prótese e Odontopediatria, diz que hábitos saudáveis ao longo da vida, que incluem boa alimentação e higiene, diminuem consideravelmente os problemas bucais na terceira idade, mas não dispensam a visita regular ao dentista, que deve ocorrer a cada seis meses.
''No envelhecimento é normal surgirem alterações na boca. Mas o errado é a ideia que muitos têm que perder os dentes e usar um par de dentaduras é uma consequência natural da idade'', destaca.
De acordo com ela, com o passar dos anos as queixas em relação à xerostomia (boca seca) se tornam muito comuns. A especialista explica que a causa pode estar relacionada ao uso de medicamentos, como os controladores de hipertensão, diabetes, ansiedade, entre outros. ''Até pessoas que não são idosas apresentam boca seca decorrente desse fator. Agora imagine o indivíduo que ao longo de tantos anos fez o uso de diversos remédios'', ressalta.
Em segundo lugar entre as queixas, está o mau hálito, que pode ser uma consequência da diminuição da saliva ou da presença de resíduos sob a língua, dentes e gengiva, devido à má higienização dos dentes ou próteses.
Em relação às cáries, a dentista afirma que não são tão comuns em idosos quanto em crianças e adolescentes. Ela conta que nessa faixa etária é mais comum as bactérias atacarem a gengiva e os ossos. ''Porém, as próteses mal-adaptadas, que foram colocadas há muito tempo, costumam juntar muita placa bacteriana e podem colaborar no surgimento de cáries e outras doenças, como a periodontite (perda de suporte ósseo dos dentes) e gengivite (inflamação da gengiva).''
Outro problema comum são as raízes expostas, que causam sensibilidade. ''Aos 40 anos muita gente já chega ao consultório reclamando de muita dor na raiz. Isso está relacionado aos hábitos de alimentação e à escovação incorretos'', afirma.
Em casa, se a pessoa idosa consegue realizar a higiene bucal sozinha, ela deve ser encorajada a fazê-lo. Caso contrário, o cuidador deve ajudar, providenciando os materiais necessários e acompanhando a atividade.


