Saúde bucal do bebê começa dentro da barriga da mãe
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terça-feira, 07 de julho de 1998
Áureo Nogueira 
O atendimento odontológico da criança, na fase em que ela ainda está na barriga da mãe, tem contribuído para a redução de cárie na população de Londrina e Cambé. Os dois municípios implantaram programa de atendimento odontológico à gestante e já verificam resultados: o índice de cáries na população atendida está abaixo do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
Não fizemos esse levantamento de forma sistematizada, mas é possível observar no dia-a-dia que o índice de cárie caiu significativamente, assim como melhorou consideravelmente a saúde bucal das populações atendidas, destaca a chefe da Divisão de Serviços Odontológicos da Secretaria de Saúde de Cambé, dentista Rosani Aparecida Alves Ribeiro de Souza.
Em Londrina, segundo a coordenadora do Programa de Prevenção Odontológica da Secretaria de Saúde, técnica de higiene dental, Carmen Spangemberg, o índice de cárie caiu, nos últimos anos, de quase 10 dentes para 2,36 dentes cariados, perdidos ou obturados por pessoa.
A recomendação da OMS é de até 3 dentes por pessoa. Portanto, já atingimos uma condição invejável, destaca a coordenadora.
Em Cambé, a implantação foi em 96, começando no Jardim Santo Amaro. Conhecíamos os estudos do professor Luís Walter - professor do curso de odontologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) que desenvolveu projeto sobre atendimento à gestante - assim como a iniciativa de Domingos Alvanhan e a experiência institucionalizada de Londrina, e decidimos adotá-los, relata Rosani. (ver matéria nesta página) Iniciamos pelo Santo Amaro e, na sequência, implantamos o programa nas unidades de saúde dos bairros Cambé 2 e 4, Jardins Ana Rosa, Silvino e Novo Bandeirantes e o centro de saúde do Centro da cidade.
O programa envolve atuação multiprofissional, com enfermeiras, assistentes odontológicas, técnicos em higiene dental e, especialmente, o trio ginecologista obstetra, dentista e pediatra.
O programa serve para quebrar o tabu de que gestante não deve se submeter a tratamento odontológico e eliminar o mito, existente entre os próprios dentistas, de que as mulheres grávidas exigem o trabalho de especialistas, emenda Domingos Alvanhan, dentista que iniciou o programa de atendimento à gestante no distrito de Irerê.
Os dentistas esclarecem que a gestante deve ser tratada como qualquer outro paciente, podendo receber todos os procedimentos odontológicos necessários, inclusive radiológicos. Basta tomar alguns cuidados, como acomodar corretamente a gestante na cadeira odontológica, executar atividades rápidas, para mantê-la na cadeira o menor tempo possível e, no caso de necessidade de fazer raios-x, protegê-la adequadamente com um lençol ou avental isolante de chumbo, explica Rosani.
Os profissionais que atuam no programa desenvolvem um trabalho de conscientização sobre a importância da prevenção de doenças como a cárie e a infecção de gengiva. Ensinam técnicas de higiene para a própria mãe e para o bebê, prescrevem dieta alimentar e recomendam o consumo de alimentos saudáveis, sobretudo os que massageiam as gengivas.
Domingos e Rosani afirmam também que o programa restitui a saúde bucal da gestante, com procedimentos curativos (obturações, extrações, etc.) e periodentais (cuidados com a gengiva).
O dentista explica que é entre o terceiro e o quarto mês da gestação que se forma o paladar do bebê. Se a gestante não ingerir excessivamente alimentos muito açucarados nesse período, o paladar do bebê não sentirá necessidade de açúcar e, consequentemente, não gostará tanto de doce, o que contribui para a preservação dos dentes, detalha Domingos. Ele acrescenta que a mãe atua diretamente na formação da flora bucal do bebê. A transmissão de micróbios da boca da mãe para a do bebê ocorre através do beijo e experimentando ou esfriando alimentos para ele. Se ela apresenta dentes cariados e inflamação gengival, vai provocar os mesmos problemas na criança, diz.


