A Secretaria Municipal de Saúde de Londrina iniciou ontem a borrifação do piretróide K-othrine em 77 casas vizinhas ao Parque Arthur Thomas, região sul. Nesta área, vivem oito dos 80 infectados pela leishmaniose na cidade. A doença é transmitida pelo mosquito flebótomo, que é encontrado em matas nativas onde existem animais silvestres.
Essa é a primeira parte do trabalho de intensificação do combate ao mosquito. Desde o dia 29 de janeiro, sete educadores em saúde estão percorrendo a zona sul para orientar a população. Até o próximo dia 7, a equipe da Secretaria Municipal de Saúde pretende visitar 821 imóveis em parte dos jardins Igapó, Vale Verde, Califórnia, Piza, Vilas Boas e Residencial Cambezinho.
Segundo Elson Belizario, supervisor de endemias do município, o piretróide será espalhado nas paredes externas e internas das casas e sua eficácia dura, aproximadamente, 90 dias. ‘‘Ele não faz mal ao ser humano e aos animais domésticos, mas existem alguns cuidados durante a borrifação que estão sendo transmitidos à comunidade’’, explicou.
A leishmaniose registrada em Londrina é do tipo tegumentar americana e provoca feridas na pele dos infectados. A doença é causada pelo protozoário leishmânia que vive no organismo de animais silvestres como o rato e macaco. O flebótomo é o transmissor desse protozoário à rede sanguínea do ser humano. ‘‘Não existe o perigo de uma pessoa infectar a outra porque só o mosquito pode fazer isso’’, disse Belizario.
Em Londrina, existem vários possíveis focos do mosquito, mas isso não quer dizer que os doentes adquiriram a leishmaniose na região onde moram. Para evitar a entrada do mosquito nas casas próximas às matas, a equipe da Secretaria Municipal de Saúde aconselha os moradores a colocar telas de proteção nas janelas e portas. De acordo com Belizario, o flebótomo se alimenta de sangue e só sai em busca dele à noite. ‘‘Por isso, não há perigo de visitar o Parque Athur Tomas durante o dia. Ali não podemos dispersar o veneno porque mataríamos vários outros insetos da fauna’’, garantiu Belizario ao afirmar que todos os casos identificados já estão sendo tratados e que alguns já foram curados.
As pessoas com suspeita de estar com a doença devem procurar os postos de saúde da rede municipal. Os medicamentos utilizados no tratamento podem ser adquiridos na 17ª Regional de Saúde. Se o doente não completar o tratamento corretamente a doença pode voltar e atingir as mucosas da boca e nariz causando deformações. ‘‘O único tipo de leishmaniose que mata é a visceral e essa não foi identificada em nossa região’’, afirmou Elson Belizario.

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