Uma comissão formada por membros da Diretoria de Saúde Ambiental (da qual faz parte a Vigilância Sanitária), 17ª Regional de Saúde e Comitê de Aleitamento Materno de Londrina (Calma) fez uma visita ontem de manhã ao 2º Distrito Policial (DP) de Londrina para averiguar as condições da cela onde estão as três detentas que foram separadas dos filhos há uma semana. O objetivo foi elaborar um relatório para ser apresentado ao juiz da Vara da Infância e da Juventude, Dimas Ortêncio de Mello, junto com pedido de reconsideração.
Na sexta-feira passada, o juiz determinou, a pedido da promotora Édina Maria Silva de Paula, a retirada dos bebês da cela argumentando que o lugar era muito frio, com riscos de doença e até de vida, caso acontecesse uma rebelião. Os três bebês - entre eles dois recém-nascidos - tiveram a amamentação interrompida nos primeiros dias da separação. As mães, Rita de Cássia Henriques, Alcilda Alves Berto e Maria Cristina Nalevaiko, chegaram a jogar fora o leite retirado com bombinhas.
Na terça-feira, o Banco de Leite do Hospital Universitário (HU) interveio, passando a recolher e a encaminhar o leite de uma das mães para a filha que está em uma instituição. O outro bebê menor está sendo levado diariamente ao 2º DP, por uma tia, para ser amamentado.
A grande preocupação da comissão que esteve ontem no Distrito é conseguir que os bebês voltem o mais rápido possível para o lado das mães, para que o aleitamento materno esteja assegurado pelo menos durante os primeiros meses de vida, como prevê a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente. Segundo o relatório assinado pela médica sanitarista Mara Ferreira Ribeiro, da Diretoria de Saúde Ambiental, as condições higiênico-sanitárias da cela são boas.
Ela detalha, no documento, que a cela dispõe de iluminação natural, boa ventilação, colchões em bom estado de conservação e limpeza. Além disso, lembra que o piso, em cerâmica regular, é mantido limpo pelas próprias detentas. ‘‘Não encontramos vestígios de poeira, bolor e nem teias de aranha’’, relatou a médica.
A comissão acredita que, mesmo não sendo o lugar ideal para a manutenção de bebês, a situação exige uma providência urgente. ‘‘Se ficarmos esperando que a Justiça encontre um local mais adequado ou se decida pela prisão domiciliar, corremos o risco destas crianças terem a amamentação interrompida em definitivo’’, observou Lilian Dalete Soares de Araújo, enfermeira e consultora em aleitamento materno do Hospital Evangélico.
Por volta das 15 horas, o relatório elaborado pela Vigilância Sanitária, um documento assinado pelo Calma e o pedido de reconsideração foram entregues diretamente ao juiz Dimas Ortêncio de Mello pelo advogado Antonio José Mattos do Amaral, acompanhado pela comissão que esteve de manhã no 2º DP.
Segundo Mello, o pedido foi encaminhado imediatamente à promotora Édina de Paula para que desse o seu parecer. Ele adiantou que pretende ir hoje ao 2º DP para verificar, de perto, a situação. O horário não estava definido.

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