Saúde aplica fumacê para combater a dengue
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quinta-feira, 28 de dezembro de 2006
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Não eram nem 8 horas quando o morador do Jardim Catuaí (Zona Norte de Londrina), Valdinei Batista, acordou com o barulho do carro fumacê passando pela rua da sua casa. Preocupado com a possível presença do mosquito transmissor da dengue em sua residência, o morador foi logo abrindo as portas e as janelas. ''Assim que ouvi o carro passando vim abrir as janelas. Tentamos fazer o possível, tomara que o inseticida ajude'', comentou.
Desde terça-feira, dez carros fumacê estão circulando pela cidade. A operação, que é uma iniciativa da prefeitura em parceria com a 17 Regional de Saúde, deve atender toda zona urbana, além do Distrito Rural Paiquerê, região onde já ouve caso confirmado de dengue. Com o objetivo de reduzir a população do mosquito Aedes aegypt, as aplicações serão realizadas em até oito ciclos em cada bairro, com previsão para acontecer até o mês de março.
O produto químico espalhado pelo veículo tem ação instantânea e mata o mosquito assim que é tocado em qualquer parte do inseto. As aplicações são realizadas das 5 até as 9 horas e das 17 até as 21 horas. O coordenador de Endemias da Secretaria Municipal de Saúde, Luis Alfredo Golçalves, explicou que durante esses horários os mosquitos são atingidos mais facilmente, principalmente por conta da falta de vento e por ser quando eles saem para buscar alimentos.
O alcance do jato é de três metros para cima e cerca de 20 metros em linha reta, o que segundo Gonçalves proporciona um bom resultado. ''Assim que as gotículas tocam no inseto ele já morre. A eficácia do inseticida é muito boa. Como ele não tem ação residual, o carro passa mais de uma vez no bairro para poder atingir também mosquitos que estão nascendo'', disse.
Mas a diretora em exercício de Saúde Ambiental, Denise Philippsen, alerta que a ação do carro fumacê é apenas complementar e que as pessoas não devem deixar de ter os cuidados diários para evitar a presença do mosquito. ''Não adianta só a aplicação do inseticida. Ações diárias, como evitar de deixar água parada em recipientes, vasos ou pneus são medidas que devem ser praticadas sempre, independente da presença do carro fumacê'', salientou.
Números - Desde o início do ano, a cidade já registrou 69 casos confirmados de dengue, sendo 40 originados na própria cidade e 29 importados. Segundo a gerente de Epidemiologia da Secretaria de Saúde, Sônia Fernandes, ao todo existem 1.090 notificações de suspeitas, sendo que, além dos casos confirmados, 938 já foram descartados e cerca de 70 permanecem em andamento no Laboratório Central do Estado.
''Durante todo o ano passado, tivemos apenas 15 casos confirmados. Houve um grande aumento. Temos apontado uma pequena concentração de casos na Zona Oeste da cidade, mas nada que nos faça desprezar as demais regiões. O que temos percebido é que a circulação viral está acontecendo na cidade toda'', alertou Sônia.


