Saúde antecipa ações contra a dengue
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segunda-feira, 12 de setembro de 2016
Simoni Saris<br>Reportagem Local 

Funcionários da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e agentes de endemias recolheram dos jardins Bancários e San Remo (zona oeste) três caminhões de materiais que não são coletados pelos recicladores, mas que servem como criadouros do mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus da dengue, zika e febre chikungunya. A ação, desenvolvida em parceria com a comunidade paroquial, foi uma antecipação do trabalho de remoção de focos do mosquito que geralmente acontece nos períodos mais chuvosos, quando aumenta a proliferação do inseto e das doenças causadas por ele.
Na atividade realizada no final de semana, foram removidos objetos como pneus, tanques, vasos sanitários e até sofás. Itens que, sem utilidade, acabam ficando esquecidos no fundo de quintais e facilitam o acúmulo de água. Nesta terça-feira (13), a ação nos dois bairros continua com a ajuda dos trabalhadores da coleta seletiva da Cooper Região. Os moradores já foram orientados a separarem materiais da linha branca, como geladeiras, fogões, máquinas de lavar e fornos de micro-ondas, para que os recicladores deem a destinação adequada.
"Com esse trabalho feito agora, quando as temperaturas começam a ficar mais altas, mas ainda não há uma grande quantidade de chuva, a gente tira a possibilidade de o mosquito se desenvolver nas próximas chuvas e previne o aumento da proliferação do mosquito em dezembro e janeiro", disse o o assessor técnico da Secretaria Municipal de Saúde, Elson Belisário. "Ações como essa vão ser realizadas em outros bairros nos próximos dias."
Os bairros escolhidos são aqueles em que o Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (Liraa) indicou índices mais altos de infestação ou, no caso do San Remo, onde o acesso aos imóveis pelos agentes da dengue é mais difícil. "Com a ajuda da paróquia fica mais fácil", disse o assessor técnico. No Jardim Bancários, o último Liraa, realizado em agosto, apontou um índice de infestação de 1,89%. A Organização Mundial da Saúde preconiza um índice até 1%. No San Remo, o índice é zero, mas os quintais são grandes e os moradores, segundo Belisário, têm reservas quanto a entrada dos agentes em suas residências. O Liraa em Londrina é de 0,3%.
Segundo os moradores da região, o maior problema é o Vale do Rubi, que serve como depósito de lixo. "Os vizinhos cuidam bem de seus quintais, mas o detalhe aqui é o vale, onde sempre tem gente jogando lixo", disse a professora Zenilda Batista. "Tem uma casa abandonada aqui na rua que nos preocupa. Eles tiraram o telhado e a gente não sabe se está acumulando água lá dentro ou não", destacou o autônomo Robson Romagnoli.
"Essa curva do vale aqui é terrível. A gente procura não deixar juntar lixo em casa, mas no vale a gente vê que tem muito entulho e sujeira", reclamou o comerciante aposentado Evaristo Santi.
BLOQUEIO
Na semana que vem, ações como as que ocorreram na zona oeste devem ser repetidas nos jardins Europa e Petrópolis, na região central. Nos dias 20 e 21, cerca de 40 agentes irão visitar mais de 2 mil imóveis para informar a população sobre o mutirão de limpeza, que acontece na quinta-feira, dia 22. No Jardim Europa, o índice de infestação do mosquito é de 3,17% e, no Petrópolis, 2,04%. São os maiores índices da região central, segundo Belisário. "Temos que aproveitar esse momento em que ainda temos mais condições de fazer a prevenção. Daqui a 30 ou 40 dias, começam a aumentar as notificações e aí temos que fazer as ações de bloqueio", disse o assessor técnico da Secretaria de Saúde.
De janeiro até o momento, o município registrou 13.171 notificações da dengue, com 4.461 casos confirmados e 7.091 descartados. Outras 1.619 notificações estão em andamento, aguardando o resultado de exames laboratoriais. Os números são do relatório semanal com dados atualizados sobre a dengue em Londrina, divulgado no dia 6 de setembro.


