O secretário de Saúde de Londrina, Sílvio Fernandes, admitiu ontem que ''vivemos um risco concreto de termos um surto epidêmico de dengue em nossa região''. O alerta foi feito durante entrevista coletiva que reuniu secretários de Saúde de Cambé (13 km a oeste de Londrina), Ibiporã (14 km a leste de Londrina) e Rolândia (25 km a oeste de Londrina) na Vila da Saúde. As quatro cidades planejam ações integradas de combate à doença.
O Município confirmou os dois primeiros casos de dengue registrados em Londrina neste ano. De acordo com a diretora de Epidemiologia da secretaria de Saúde, Josemari de Arruda Campos, ambos são importados. A primeira paciente é uma dona-de-casa de 39 anos, moradora do Jardim Jamaica (Zona Oeste). Ela teria adquirido a doença em Imperatriz (MA). No último dia 13, procurou a Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Leonor com febre alta, cefaléia, dores nos olhos, juntas e músculos, náuseas e manchas no corpo.
A outra vítima é um gerente comercial de 25 anos, residente no Bairro Aeroporto (Zona Leste), que visitou o município de Rio Verde (GO) na segunda semana do ano. Os sintomas anotados pelo Pronto Atendimento Municipal (PAM) foram semelhantes aos da dona-de-casa, acrescidos de fraqueza e vômito. ''Como a hipótese principal era de dengue, fizemos a coleta de sangue dos dois pacientes e pedimos urgência ao Lacen (Laboratório Central do Estado), que confirmou a suspeita ontem (anteontem)'', ressaltou Josemari.
Ela disse ter ''certeza absoluta'' de que nenhum dos casos é autóctone (originado aqui) porque Londrina ainda não tem circulação viral da dengue, ao contrário das cidades visitadas pelos dois pacientes. ''Eles estão bem, mas não plenamente recuperados. Nossa sorte é que os dois residem em apartamentos'', observou, referindo-se ao menor risco de ambos contraírem a doença novamente. Quando um indivíduo é infectado pela segunda vez, as chances de desenvolver a forma hemorrágica da doença são bem maiores.
Esse é um dos fatores que tem tirado o sono das autoridades de Saúde. Segundo Sílvio Fernandes, estima-se que 20% da população londrinense já tenha contraído dengue pela menos uma vez e, portanto, seja suscetível à forma mais severa da doença. Em 2003, ano em que a cidade sofreu sua pior epidemia, com cerca de 7,2 mil casos confirmados, duas pessoas morreram de dengue hemorrágica.
O último levantamento divulgado pela Saúde municipal apontou que o índice de infestação do mosquito em Londrina, no início deste ano, estava em 4,7%, quando o valor máximo preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de 1%. Na Zona Oeste, campeã de focos do mosquito, o índice ultrapassou 10%.
Os participantes da coletiva fizeram côro à afirmação do secretário de Saúde de Rolândia, Fernando Aguilera, de que ''a dengue não é culpa de ninguém''. Mas não conseguiram deixar de atribuir a responsabilidade pela nova disseminação do mosquito à população, enquanto garantiam ter cumprido sua parte.
''Não acredito que houve acomodação por parte da Saúde. O trabalho se manteve continuado, mesmo no período de inverno. O problema é que não há uma mudança de hábitos da população. Eu pergunto: será que existe na nossa região algum cidadão que ainda não sabe que água parada transmite dengue?'', questionou Fernandes.
Sobre os entulhos que se acumulam em terrenos, praças e fundos de vale - potenciais criadouros do Aedes aegypt e alvos de reclamações diárias dos londrinenses - Fernandes apontou que a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) tem priorizado a limpeza de áreas de risco e lembrou que os cidadãos devem noticiar esses casos para o Disk-Dengue.

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