Saúde alerta sobre ataque de lagarta
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terça-feira, 18 de março de 1997
Edna Mendes Correspondente 
CRUZ MACHADO - Somente no mês de março foram registrados, em Cruz Machado (50 quilômetros ao Norte de União da Vitória), 20 casos de acidente com a lagarta lonomia, a conhecida taturana. Um agricultor morreu depois de entrar em contato com a lagarta.
Todos os casos aconteceram na zona rural, principalmente no município de Cruz Machado. Moradores da cidade também encontraram um foco da lagarta perto da prefeitura.
A lonomia é uma lagarta marrom, com pelos esverdeados, que mede de 6 a 7 centímetros. Seu corpo se parece com um pinheirinho e ela apresenta pontos esbranquiçados no dorso.
O veneno se concentra nos pêlos, e é liberado quando alguém encosta nela. Este tipo de lagarta vive em grupos e normalmente fica em tronco de árvores frutíferas.
O veneno da lagarta causa desde pequenas irritações até hemorragia grave, podendo levar à morte. Ao contrário da aranha marrom (muito comum em Curitiba e Região Metropolitana), que não provoca sintomas imediatos, a lonomia irrita a pele, causa dor e desconforto geral. Nas 72 horas após o contato com a lagarta, surgem sangramentos em diversas partes do corpo, principalmente em ferimentos recentes.
Focos Foram encontrados focos da lagarta nos municípios de Bituruna, Porto Vitória, Paula Freitas e União da Vitória. Exemplares foram encaminhados ao Centro de Produção de Pesquisa Imunobiológica do Paraná (CPPI) para identificação.
Biólogos do CPPI, secretaria de Agricultura, secretaria do Meio Ambiente e Emater de Cruz Machado, juntamente com a 6ª Regional de Saúde (União da Vitória), estão desenvolvendo um estudo de campo para descobrir a causa do aumento na incidência de lagartas na região.
Segundo a enfermeira-chefe da Epidemiologia da 6ª Regional de Saúde, Dione Schreiner Corrêa, campanhas de alerta estão sendo realizadas em toda a região, através das rádios, escolas e entidades representativas. Nas campanhas, a população é alertada para tomar cuidado e não tocar na lagarta. Está todo mundo empenhado em resolver o problema no Estado. A nossa região foi uma das primeiras a detectar os focos da lagarta. A prevenção está sendo feita, afirmou.
Ela disse ainda que o número de casos registrados na região é considerado alto, mas que a situação está sob controle. A lagarta faz parte do meio ambiente, não temos como exterminar. Precisamos aprender a conviver com ela. A lagarta não ataca, mas quando alguém esbarra nela, ela se defende liberando o veneno pelas cerdas.
Sem-terra Na região de Guarapuava já foram registrados três casos de acidente com lagarta. Um deles no acampamento dos sem-terra de Rio Bonito do Iguaçu (125 quilômetros a oeste de Guarapuava).
Segundo a sanitarista da 5ª Regional de Saúde, Nivera Noemia Stremel, os três pacientes apresentaram hemorragia. Ela disse que chegou a ver uma das vítimas da lagarta e ficou espantada com o quadro. Formavam bolhas de sangue que iam estourando no corpo inteiro. A pessoa tinha um ferimento na boca que sangrava sem parar, conta.


