Guarapuava A florada e a seca dos taquarais - um fenômeno natural que ocorre apenas a cada 30 anos - colocou em alerta a população da Zona Rural de Guarapuava. Por causa da oferta das sementes da planta, que servem de alimento aos roedores silvestres, houve uma maior reprodução dos animais. É a chamada ''ratada'', caracterizada pelo aumento expressivo dos ''ratos do mato'' em áreas rurais. Os roedores são transmissores da hantavirose, uma doença grave que pode levar à morte se o paciente não receber cuidados médicos adequados.
A bióloga Gisélia Rubio, chefe da Divisão de Zoonoses da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), informou que o fenômeno tem sido observado na região Centro-Sul do Estado. Nesta semana, uma equipe da Vigilância Sanitária de Guarapuava encontrou cinco roedores mortos numa estrada apenas em uma visita à Zona Rural. Em setembro do ano passado foram capturados 14 ratos mortos em Telêmaco Borba doze deles passíveis de transmitir a hantavirose.
Gisélia explicou que, provavelmente, a ''ratada'' esteja acontecendo em Guarapuava pelo fato de os roedores estarem se deslocando de áreas onde as sementes se tornaram escassas. ''Eles migram a procura de comida. Se não encontram sementes de taquara, entram em paióis de grãos, depósitos de ração e até nas casas'', disse. A taquara é um bambu de pequeno diâmetro conhecido por ser utilizado na confecção de varas de pesca. Seu ciclo reprodutivo deve se estender até o início do ano que vem.
Como no Centro-Sul há casos registrados de hantavirose, a possibilidade da doença aparecer aumenta com a ''ratada''. ''Por isso, estamos orientando a população a evitar os roedores'', informou. Neste ano, a Sesa registrou dois casos da patologia em Pinhão (40 km ao sul de Guarapuava), um em Mallet (44 km ao norte de União da Vitória) e dois em Palotina (96 km ao norte de Cascavel). ''Todos evoluíram para cura'', relatou. Em 2004, foram dez casos no Centro-Sul do Paraná, com cinco óbitos.
Para combater os roedores, a principal dica é cessar a oferta de alimentos (ver quadro nesta página). A hantavirose é uma doença transmitida através do ar contaminado pela urina e pelas fezes de ratos silvestres ou até mesmo pela mordida destes roedores. Os sintomas podem aparecer em até 40 dias depois de respirar o ar contaminado.
Os sinais são similares a uma forte gripe, com febre, dores no corpo e mal-estar. A diferença é a dificuldade para respirar causada pela presença de água no pulmão. ''Se a pessoa não recebe atendimento médico, pode morrer por insuficiência respiratória'', disse.
Ao apresentar sintomas, a orientação é procurar atendimento médico e comentar sobre a origem rural e o contato com os roedores. ''Os animais não sobrevivem em áreas urbanas'', esclareceu Gisélia. O tratamento da doença depende de internamento em hospital com acompanhamento de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). ''É preciso manter o paciente em local com equipamento respirador'', acrescentou. O procedimento se estende por aproximadamente cinco dias.
No próximo dia 10 de agosto, a Sesa realizará um treinamento com médicos da região de Guarapuava sobre o diagnóstico da hantavirose.

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