Saúde admite que número de casos pode ser maior
Os 11 casos notificados de Aids na zona rural de Londrina podem estar revelando apenas parte do problema. O Centro de Testagem e Amostragem (CTA) da Secretaria Municipal de Saúde admite que o número de casos pode ser maior, já que ainda há grande resistência em se fazer o teste para detectar o vírus HIV.
O enfermeiro e um dos coordenadores do Programa de DST/Aids da Secretaria Municipal de Saúde, Edvilson Lentine, lamenta que muitos casos podem estar escondidos pelo preconceito, machismo e falta de informação que ocupam um lugar de destaque nas comunidades rurais. ''As pessoas ainda acreditam que a Aids é uma doença urbana'', analisa.
Mas essa realidade, segundo ele, deverá mudar a partir de janeiro de 2005, quando todas as 55 unidades básicas de saúde incluindo as da zona rural deverão começar a oferecer os trabalhos de testagem e aconselhamento. Profissionais de todos os postos estão passando por curso de treinamento e capacitação que será concluído até o final do ano.
Neste sentido, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) saiu na frente do poder público. A organização ocupa uma cadeira no Conselho Estadual de Saúde, repassa informações sobre Aids/DST em seus eventos, faz campanhas e nos assentamentos são os próprios assentados que fazem o trabalho de conscientização e prevenção sobre a doença e distribuem preservativos gratuitamente. Na região de Londrina, os assentamentos de Mirasselva (300 famílias), Tamarana (180 famílias) e Faxinal (400 famílias) já contam esses comitês de saúde.
A secretária do escritório regional do MST, Lucimar Oliveira, avalia que os integrantes do movimento estão bem informados, mas reconhece que principalmente os jovens continuam mais expostos. Ela exemplifica que em Mirasselva ''o assentamento fica a 800 metros da cidade'', o que aumenta os riscos da Aids ''entrar'' no movimento.
Lucimar informa que não há registro de casos da doença nos assentamentos da região. Ela disse que apenas um vez, uma jovem filha de assentados soropositiva tentou ficar em Mirasselva mas não suportou a rejeição e o preconceito: ''ela não ficou nem um mês por lá''. (L.A.)





