SAÚDE - Peregrinação em busca de atendimento médico
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quinta-feira, 05 de outubro de 2006
Wilhan Santin<br>Especial para a Folha 
Quem passa pelas ruas próximas a clínicas e hospitais que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Londrina está acostumado a encontrar ônibus, vans e ambulâncias de diversos municípios da região, que trazem pacientes para atendimento médico. Para realizar desde uma simples coleta de sangue até internações em Unidade de Terapia Intensiva ou complexas cirurgias, os moradores dos 20 municípios que fazem parte da 17 Regional de Saúde têm de se deslocar até Londrina.
Somente no Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar) - Área Central - são aproximadamente 400 pessoas por dia. Muitas vezes esses pacientes ficam mais de 16 horas fora de casa para realizar uma simples consulta médica.
É o caso da aposentada Terezinha de Jesus Cunha, 62 anos, e da dona-de-casa Ivonete de Lima Ferreira, 34. Moradoras de Porecatu, elas saíram de casa ainda de madrugada, às 4 horas, para consultar com um psiquiatra. ''Minha consulta não demorou nem 15 minutos, agora estou aqui e nem sei a hora em que vou chegar em casa. O ônibus deve sair quando já tiver escurecendo'', reclamou Ivonete.
''Temos de vir a cada 60 dias para pegar a receita do remédio controlado. Perdemos um dia inteiro para fazer isso. Muitas vezes o ônibus quebra, aí só chegamos em casa depois das 21 horas'', completou Terezinha de Jesus.
A aposentada Sebastiana Pereira da Silva, 76, moradora de Florestópolis (73 Km ao norte de Londrina), faz tratamento com cardiologista no Cismepar há cinco anos. Ela saiu de casa às 5h30, mas a consulta em Londrina estava marcadas para as 14 horas. ''O deslocamento até aqui é muito difícil. Seria bom se houvesse médicos especialistas na minha cidade'', declarou.
Os recursos federais para o SUS são enviados diretamente para o Fundo Municipal de Sa© úde (FMS) do município pólo de uma região. Segundo a diretora executiva da Secretaria de Sa© úde de Londrina, Marlene Zucoli, a verba repassada pelo governo federal é pequena para Londrina e região, porém não é correto dizer que o atendimento aos pacientes de outras cidades prejudica os londrinenses.
''Como o dinheiro não é suficiente para tudo, fica a impressão de que os moradores de outros municípios ocupam as vagas de Londrina. Isso não é verdade, pois se deixarmos de atender algum município também vamos parar de receber a verba correspondente a ele'', explica Marlene.
Segundo ela, o município de Londrina oferta mensalmente 30 mil vagas de consultas com especialistas; dessas, 35% são reservadas para os outros 19 municípios que fazem parte da 17 Regional de Saúde.
A cidade também é referência de atendimento para diversos tipos de procedimentos de média e alta complexidade para cidades da macro-região Norte - que engloba os municípios das regionais de saúde de Ivaiporã, Apucarana, Jacarezinho e Cornélio Procópio - e, em alguns casos, de várias outras regiões do Paraná e até de outros Estados.


