SAÚDE - Jovem de 18 anos recebe implante coclear
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Carlos Eduardo Kiatkoski <br> Equipe da Folha 
Curitiba - Dezoito anos. Esse foi o tempo que Jonathan Carvalho Veloso levou para começar a ouvir. Ele nasceu com deficiência auditiva e, na manhã de ontem, passou pela segunda fase do implante coclear. A ativação do aparelho retroauricular (atrás da orelha) realizada um mês após a cirurgia de implante de eletrodos. A emoção no momento da ativação era visível, tanto dos pais quanto da equipe médica responsável pelo procedimento.
A cirurgia é a primeira realizada no Paraná pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em adultos. O procedimento foi realizado no Hospital das Clínicas (HC), um dos únicos conveniados no Estado. A reevindicação da equipe médica levou dois anos para ser atendida e o resultado foi celebrado pelos médicos responsáveis pelo tratamento.
Segundo Gislaine Weimer, responsável pela equipe de fonoaudiologia, a ativação do aparelho é somente o primeiro passo para que o paciente possa voltar a ouvir. ''É como um recém-nascido, ele ouve mas não sabe distinguir os sons'', explica Gislaine. Já para a família de Jonathan o momento é para se comemorar. ''Foi um sonho de 17 anos que se relaizou. Hoje ninguém trabalha lá em casa'', comemorou a mãe do paciente, Andrea Carvalho Veloso.
Jonathan nasceu com deficiência auditiva. Sua mãe teve rubéola durante a gestação, o que ocasionou a surdez pré-lingual. Desde então, a mãe sempre acompanhou reportagens sobre o assunto na esperança de que um dia o filho pudesse ouvir normalmente. A família não teria condições de bancar a cirurgia, já que o procedimento, segundo o médico Rogério Hamerschmidt, responsável pelo implante, custa em torno de R$ 100 mil. Somente o aparelho, importado da Áustria, tem um custo de aproximadamente R$ 60 mil. Por enquanto não há aparelhos similares desenvolvidos no País, o que reduziria o custo.
Além do Paraná, outros dois estados (São Paulo e Rio Grande do Sul) realizam a cirurgia de implante coclear, ou ouvido biônico, pelo SUS.
A reabilitação auditiva vai levar em torno de um ano. Enquanto isso o paciente vai passar por uma adaptação dos sons externos. ''Vai depender muito da força de vontade dele (paciente) e da ajuda da família'', comentou Gislaine.
A escolha do paciente para o implante leva em conta o tipo de surdez, a dificuldade de falar, a capacidade de leitura labial. ''Para realização do procedimento o paciente tem que ter surdez total'', explica Hamerschmidt. A fila de espera para a realização da cirurgia ainda é pequena, pois o HC só foi autorizado a relaizar o procedimeto pelo SUS em agosto de 2010.


