Saudade e fé
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sábado, 03 de novembro de 2012
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Milhares de pessoas aproveitaram o feriado do Dia de Finados, ontem, para visitar os túmulos de seus entes queridos. A estimativa da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf) é de que 200 mil pessoas passaram pelos 17 cemitérios da cidade - incluindo os localizados nos distritos - durante todo o dia. Mesmo com o intenso movimento, não foram registradas ocorrências graves.
Logo nas primeiras horas da manhã, quando o clima ainda estava fresco, o movimento já era grande. No Cemitério Jardim da Saudade, no conjunto Vivi Xavier (Zona Norte), o dia foi de muita correria para a vendedora ambulante Luciana Barbosa. Há quatro anos ela trabalha no Dia de Finados vendendo flores e velas e conta que dormiu na calçada do cemitério, por causa das mercadorias. ''O movimento está uma benção, graças a Deus, e o dia inteiro deve ser corrido assim'', calculava.
Trabalho intenso também para os funcionários da Acesf que orientavam os visitantes sobre os cuidados com a dengue. Já na entrada Marcelo Severino pedia para que os embrulhos dos vasos de flores fossem deixados no latão de lixo. ''Temos muitos focos de dengue e o município tenta fazer a sua parte, mas as pessoas têm que colaborar também, fazendo a limpeza das residências e não deixando lixo por aí'', destacou. Além dos plásticos e outras ornamentações, também foi proibido o uso de flores artificiais.
A secretária Andreza dos Santos lamentou não poder usar as plantas sintéticas. Com vários familiares sepultados no Jardim da Saudade, ela carregava diversos vasos que seriam depositados nos túmulos dos pais e avós. ''É um símbolo do nosso carinho por eles. Não poderia esquecer, hoje é um dia importante, eu venho em outros dias também, mas hoje é especial'', justificou.
Diversas pessoas aproveitaram para participar da missa, realizada entre as árvores, como a aposentada Dorvalina Teles Cordeiro, que há oito anos visita o túmulo da irmã. ''Venho cedo porque é mais fresco e já participo da missa'', disse.
Pioneiros
Também na Zona Norte, o movimento no cemitério do Patrimônio Heimtal era grande, considerando-se a quantidade de sepulturas. ''Aqui está a história de Londrina, diversos pioneiros estão enterrados aqui'', afirmou o corretor de imóveis Arthur Harbs. Na companhia da esposa, da sogra e de outros parentes, ele conta que todos os anos a família visita os túmulos e aproveita para encontrar amigos e familiares.
''A gente vai chegando, encontrando o pessoal e fica conversando'', explicou, enquanto caminhava mostrando as diversas sepulturas com inscrições em alemão. Muitas estão abandonadas e outras mostram que o vandalismo também chegou aos distritos.
''Esse cemitério é muito antigo. A minha avó foi sepultada aqui em 1936. Muitas famílias de pioneiros não moram mais em Londrina, por isso temos esses túmulos abandonados. Mas o pessoal também está vindo aqui para furtar as peças em cobre. Há pouco tempo reformamos uma sepultura e já quebraram até a pedra do revestimento, para roubar o cobre'', reclama a aposentada Adelaide Guy Woczinski.
Os visitantes também se queixam da má conservação do local, que até pouco tempo era todo de terra batida, o que significava muita lama em dias de chuva. ''Agora colocaram essa grama, mas faltam árvores. As que sobraram são muito antigas. Quando cai alguma eles não plantam outras'', acrescenta ela.
O superintendente da Acesf, José Roberto Damiano, informou que estão previstas diversas obras nos cemitérios do município, mas que será necessário aguardar a próxima gestão. ''Neste ano não temos mais orçamento'', justificou.


