SAUDADE E DOR - APPVida ajuda a reencontrar os familiares
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terça-feira, 20 de dezembro de 2016
Aline Machado Parodi <br>Reportagem Local 

Quem saiu de casa e perdeu o contato com os familiares também sofre com a ausência. Promover o reencontro nem sempre é fácil. Às vezes, o que resta são migalhas de informações sobre o paradeiro dos pais, irmãos, tios. A equipe da Associação Projeto Pão da Vida (APPVida), que acolhe homens e mulheres em situação de rua, garimpa uma informação aqui, outra acolá para tentar reunir famílias. "São buscas até informais, de pegar o endereço na internet que a acolhida nos passa e tentar localizar algum comércio por perto para ver se conhecem a pessoa e os parentes", contou a psicóloga Mariana Grassi do Nascimento.
Ela recorda de um caso em que foi preciso entrar em contato com um distrito de uma cidade no interior da Bahia. "Ligamos para o Cras (Centro de Referência de Assistência Social) de lá. Demorou, mas conseguimos descobrir os familiares", comentou.
Os acolhidos pela APPVida, normalmente, são pessoas com histórico de abuso de álcool e drogas, que acabam em situação de rua e as famílias se afastam. Também há casos de pessoas com problemas mentais.
Com a proximidade das festas de fim de ano, aumenta a vontade de reencontrar os familiares. Um caso de recuperação dos vínculos é o de uma mulher que abandonou os filhos há quase 20 anos por causa do uso de drogas. Ela está acolhida há um ano na instituição e viajou em novembro para encontrar três filhas e passar o Natal com elas. "Ela pediu para encontrarmos as filhas e a família também buscava por ela. Ela não retornou para a família, mas é uma reaproximação bem grande", avaliou a psicóloga.
ESPERANÇA
Nem todas as histórias têm um final feliz. É o caso de Paula Mendes, que está acolhida na entidade há dois anos, encaminhada pela Clínica Psiquiátrica de Londrina (CPL). Ela tem poucas lembranças sobre a sua própria história. A equipe da APPVida nem tem certeza de que Paula é realmente seu nome.
A única certeza que Paula tem é querer reencontrar a mãe. "Quero encontrar a minha família para eles virem me buscar", disse. Ela conta que morava em Curitiba, nas redondezas do bairro Pinheirinho. Saiu de casa porque não queria ficar perto do padrasto. Morou na rua e não sabe dizer como e nem quando chegou em Londrina.
A assistente social Francielli Cardoso e a psicóloga Mariana Grassi do Nascimento procuraram informações sobre Paula nas delegacias, mas não encontraram nenhum boletim de ocorrência ou registro de que a família esteja procurando por ela. Segundo elas, a única referência sobre a Paula estava em um blog de um morador de Presidente Prudente (SP), que dizia que a tinha encontrado nas ruas e também buscava os parentes. Mas Paula não se recorda de ter passado pela cidade paulista.
Paula lembra que os irmãos eram mais novos, que a mãe se chama Neusa Mendes e o pai, João Camargo. Mas ele já teria falecido. E tem uma madrinha chamada Sônia Mendes, que moraria em Colombo (RMC). As informações dela são desencontradas. Enquanto afirma estar morando na rua há 10 anos, sem contato com a mãe, também diz que tem um filho, chamado Rodrigo, de seis anos, que ficou sob os cuidados da mãe dela.
Segundo a equipe da APPVida, Paula apresenta problemas neurológicos, que podem ser consequência de maus tratos. "Ela tem marcas de uma cesariana. E também sinais de abuso físico. Acreditamos que ela foi agredida em algum momento da vida. Isso pode ter contribuído para ela não lembrar das coisas", disse Mariana.
Se alguém tiver alguma informações sobre os parentes pode entrar em contato pelo telefone (43) 3343-3529.


