Sargento da PM será julgado por racismo
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sábado, 01 de setembro de 2001
Israel Reinstein<BR>De Curitiba 
Será julgado amanhã, às 15 horas, o sargento da Polícia Militar Luiz Horácio dos Santos, acusado de racismo por dois soldados negros da corporação. O julgamento, que acontece na 11 Vara Criminal de Curitiba, vai analisar agressões verbais do sargento, que teriam sido praticadas há três anos contra os dois policiais.
Segundo Ivan Luiz Camargo da Silva, uma das vítimas, o sargento Santos teria ofendido ele e o colega de trabalho quando ambos faziam guarda no Palácio Iguaçu. Segundo o processo, o sargento teria dito aos dois soldados que ''se fosse comandante da polícia não aceitaria preto na corporação. Preto para mim, somente no meu coturno.''
Indignado pela forma como foi tratado, o soldado Ivan da Silva, junto com seu colega Elias Gonçalves da Silva, denunciou o caso ao comando da corporação, junto a uma queixa judicial. De acordo com o soldado Ivan, o sargento foi punido administrativamente. ''A intenção é que ele responda criminalmente por sua ação'', enfatizou.
O soldado acrescentou que pensa em mover outro processo, pedindo indenização por danos morais. Ontem, a Folha procurou o sargento em seu trabalho e em casa, mas não o encontrou.
Projeto Em função da forma como foi tratado dentro da corporação, o soldado, que é acadêmico do curso de Letras da Universidade Tuiti do Paraná, está concluindo um projeto para levar o tema racismo às salas de aula. O projeto também deverá ser apresentado ao Comando do Policiamento da Capital (CPC).
O soldado disse que o projeto universitário pretende levantar as formas de racismo na sociedade, bem como as maneiras de minimizar essas ações. Ivan da Silva entende que a educação é a maior arma para evitar o preconceito contra minorias. ''Por isso, acho importante que se defenda a abertura de políticas afirmativas, como a reserva de vagas para negros'', acrescentou.


