O funcionário da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Celso Barcelão, 31 anos, foi vítima de espancamento e de tortura, no último sábado. Ele acusa um sargento do serviço reservado (P-2) do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), em Londrina.
Ele relatou que, no último sábado, foi espancado por cerca de três horas. O agressor foi identificado como José Reina Junior. Segundo denúncias de Barcelão, registrada no 5º BPM, ele teria recebido socos e pontapés por todo o corpo, teria desmaiado várias vezes e, durante o espancamento, era ameaçado a todo momento de ser morto pelo agressor caso não confessasse um assalto.
O funcionário disse que foi preso por mais dois policiais, mas que eles não participaram da pancadaria. Antes de libertá-lo, o sargento ainda o teria ameaçado de morte caso denunciasse a agressão. A vítima afirmou que nunca se envolveu com a polícia.
Segundo Barcelão, Reina queria que ele assinasse a confissão do roubo da bolsa de uma promotora de Justiça, que não foi identificada. As agressões começaram quando ele foi detido pela manhã, na esquina das Ruas Mato Grosso com Goiás. A vítima disse que queria comprar uma camisola para a esposa, que a qualquer hora pode ganhar o primeiro filho do casal.
Barcelão contou que estava subindo em sua motocicleta, naquela esquina, quando três policiais usando um Fiat descaracterizado bateu no seu veículo. ‘‘Eu caí no chão com a batida, quando o sargento Reina e mais um policial saíram do Fiat armados com revólver. O sargento começou a me dar pontapés e bater com minha cabeça contra a calçada. Nesta primeira vez eu tive sorte, pois estava usando capacete e as batidas não chegaram a doer muito. Daí o sargento mandou eu tirar o capacete e me algemou. Fui colocado em uma viatura policial e levado para o 5º BPM, onde fui levado a uma sala, torturado e espancado por ele. Cheguei a desmaiar três vezes. Mas o sargento dizia que estava ficando cada vez mais nervoso, e que eu assinasse a confissão para ele não me matar.’’
Barcelão disse que, depois de apanhar no quartel, foi levado até em frente a sua casa, que foi invadida pelo sargento, que queria encontrar o possível produto do roubo contra a promotora. Segundo ele, como nada foi encontrado, foi então levado para o setor de triagem da Polícia Militar, na 10ª Subdivisão Policial. Lá, ele foi colocado em uma cela.
Momentos depois apareceu a promotora, que não o reconheceu como a pessoa que teria roubado sua bolsa. ‘‘Quando fui colocado em liberdade, o sargento Reina estava ainda mais raivoso e disse que se eu denunciasse as agressões não teria mais sossego na vida. Ele prometeu me matar, colocando um revólver na minha mão e alegaria depois que eu teria reagido à prisão. Que se ele não conseguisse seu intento, seus colegas de farda fariam o serviço.’’
Familiares levaram Barcelão ao Hospital Universitário para exames, onde foram constatadas lesões por todo o corpo. Outros exames serão realizados para verificar se algum órgão interno foi atingido. Barcelão não está conseguindo andar. O advogado Luiz Gaya entrou com uma representação contra o 5º BPM, exigindo explicações sobre a agressão. Barcelão foi submetido a exame de lesões corporais no Instituto Médico Legal (IML).
O comandante do 5º BPM, Silvio Mazalotti de Araújo, disse que está investigando a denúncia. ‘‘Não vamos nos precipitar em condenar alguém. No entanto, já falei que não vou admitir truculência policial e mandei abrir inquérito para apurar a verdade. Para uma investigação transparente, afastamos o sargento Reina de suas funções.’’Josoé de CarvalhoHorrorBarcelão diz que foi torturado para confessar o roubo de bolsaPaulo Ubiratan

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