Sargento afirma que não estava armado
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quarta-feira, 23 de abril de 1997
Da Redação 
O sargento Levi Teófilo, do 5º Batalhão da Polícia Militar de Londrina, esteve ontem, às 15 horas, no 1º Distrito Policial para prestar depoimento ao delegado Edmo Ermenegildo sobre a morte do pastor José Idalécio Bueno, ocorrida em fevereiro deste ano. O inquérito policial que investiga o caso já tinha sido concluído pela Polícia Civil, mas voltou para as mãos do delegado com algumas dúvidas apontadas pela Promotoria Pública de Ibiporã.
Ontem, Ermenegildo fez apenas duas perguntas ao sargento, apontadas pelo promotor Pedro Carvalho: se ele estava fardado e armado na hora em que abordou o pastor. Teófilo confirmou que estava fardado mas negou que portasse qualquer tipo de arma. Hoje, o delegado ouve o soldado João Reis.
Logo após Teófilo sair da delegacia, Edmo Ermenegildo recebeu a visita da viúva do pastor, Mara Bueno. Ela afirmou ao delegado que o sargento não só estava armado, com um revólver na cintura, como ameaçou utilizar a arma contra o marido durante a discussão. Mara Bueno também confirmou ao delegado a versão do espancamento, que já tinha sido apontada nos depoimentos anteriores. A visita, segundo o delegado, foi espontânea.
A morte do pastor José Idalécio Bueno, 36 anos, aconteceu no dia 9 de fevereiro em Ibiporã (14 quilômetros de Londrina). O pastor morreu dentro de uma viatura policial, depois de uma discussão com policiais militares. De acordo com o inquérito, Bueno sofreu agressões corporais e, quando era transportado do Posto Rodoviário de Ibiporã à delegacia da cidade, se afogou com o próprio vômito. Ele morreu antes de chegar ao hospital.
Na época, o sargento Teófilo, apontado como o pivô do caso, disse que não houve espancamento e sim a utilização da força necessária. No seu depoimento à polícia, ele afirmou que a vítima estava embriagada e dirigia seu Opala em ziguezague pela BR-369. O militar vinha na mesma direção com seu veículo e contou que por diversas vezes foi fechado por Bueno. Conforme laudo do Instituto de Criminalística, o Opala apresentava defeitos nos freios e no terminal da direção.
Durante o inquérito foram ouvidas 10 testemunhas do crime. Os PMs acusados são o sargento Levi Teófilo e os soldados Antônio Marcos Pereira, Amilton Rodrigues dos Santos e João Reis, e os policiais rodoviários Florisvaldo de Jesus Spolador, Aluísio Martins Cardoso, Dirson Domingos Thomé, Sérgio Noveli e Cláudio da Cruz Oliveira.


