Sardinha suspeita é retirada de merenda
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quarta-feira, 18 de outubro de 2000
Lino Ramos De Londrina 
Mais de 3,6 mil latas com sardinhas com qualidade duvidosa podem ter sido usadas na alimentação dos alunos da rede municipal de ensino de Londrina. O produto foi comprado pela prefeitura e 5 mil latas foram doadas para a Secretaria Municipal de Educação. Segundo o auditor da prefeitura, Sadi Chaiben, o problema foi descoberto por funcionários do almoxarifado, que abriram uma lata e constataram um mal cheiro e um aspecto diferente.
O almoxarifado da prefeitura conseguiu recolher apenas 1.386 latas do total distribuído. O procurador-geral do município, Arão dos Santos Neto, vai pedir abertura de inquérito policial para investigar as responsabilidades. Segundo ele, houve um crime contra a economia popular e contra o Código de Defesa do Consumidor.
A presidente do Conselho Municipal de Alimentação Escolar (CAE), Marli Brum, disse ontem que iria averiguar o assunto. Segundo ela, a merenda escolar é de boa qualidade .
A Vigilância Sanitária coletou amostras dos alimentos e mandou para o Laboratório Central do Estado (Lacen), que ainda não concluiu as análises. As sardinhas que apresentam problemas são das marcas Burguesa e Orgulhosa, produzidas em São Gonçalo e Niterói (RJ). Além das latas distribuídas para a merenda escolar, foram recolhidas mais 2 mil latas que estavam em mil cestas básicas destinadas à população carente. Outras 3.406 latas se encontravam estocadas. No ano passado já haviam sido trocadas 7 mil latas da sardinha Orgulhosa.
A diretora da Vigilância Sanitária, Solange Marques de Lima, informou que as amostras de sarinhas foram recolhidas no dia 28 de setembro. Segundo ela, só o laudo do Lacen irá revelar se o produto apresenta algum tipo de contaminação. Durante a visita que fez ao almoxarifado da prefeitura, Solange Lima constatou que o local precisa de readequações para armazenar corretamente os alimentos. Ela encaminhou um ofício à prefeitura sobre essas deficiências.
Além de problemas com as sardinhas, a auditoria do município encontrou feijão com classicação diferente da indicada na embalagem. Foram 960 pacotes do feijão Arco Verde comprados como sendo do tipo 1, quando o produto é do tipo 2. Também foram adquiridos 566 kg do feijão Pantaneiro do tipo 4 como sendo do tipo 1 e mais 4,5 mil pacotes de 1 kg do tipo 2 como se fossem do tipo 1. Com relação ao feijão, esse fato pode irá agravar a situação da distribuidora Tawerli porque já existe um inquérito policial, disse Arão dos Santos Neto. A prefeitura já enfrentou problemas com a qualidade e peso de arroz, feijão e óleo de soja.


