Mais de 3,6 mil latas com sardinhas com qualidade duvidosa podem ter sido usadas na alimentação dos alunos da rede municipal de ensino de Londrina. O produto foi comprado pela prefeitura e 5 mil latas foram doadas para a Secretaria Municipal de Educação. Segundo o auditor da prefeitura, Sadi Chaiben, o problema foi descoberto por funcionários do almoxarifado, que abriram uma lata e constataram ‘‘um mal cheiro e um aspecto diferente’’.
O almoxarifado da prefeitura conseguiu recolher apenas 1.386 latas do total distribuído. O procurador-geral do município, Arão dos Santos Neto, vai pedir abertura de inquérito policial para investigar as responsabilidades. Segundo ele, houve um crime contra a economia popular e contra o Código de Defesa do Consumidor.
A presidente do Conselho Municipal de Alimentação Escolar (CAE), Marli Brum, disse ontem que iria averiguar o assunto. Segundo ela, a merenda escolar é de boa qualidade .
A Vigilância Sanitária coletou amostras dos alimentos e mandou para o Laboratório Central do Estado (Lacen), que ainda não concluiu as análises. As sardinhas que apresentam problemas são das marcas Burguesa e Orgulhosa, produzidas em São Gonçalo e Niterói (RJ). Além das latas distribuídas para a merenda escolar, foram recolhidas mais 2 mil latas que estavam em mil cestas básicas destinadas à população carente. Outras 3.406 latas se encontravam estocadas. No ano passado já haviam sido trocadas 7 mil latas da sardinha Orgulhosa.
A diretora da Vigilância Sanitária, Solange Marques de Lima, informou que as amostras de sarinhas foram recolhidas no dia 28 de setembro. Segundo ela, só o laudo do Lacen irá revelar se o produto apresenta algum tipo de contaminação. Durante a visita que fez ao almoxarifado da prefeitura, Solange Lima constatou que o local precisa de readequações para armazenar corretamente os alimentos. Ela encaminhou um ofício à prefeitura sobre essas deficiências.
Além de problemas com as sardinhas, a auditoria do município encontrou feijão com classicação diferente da indicada na embalagem. Foram 960 pacotes do feijão Arco Verde comprados como sendo do tipo 1, quando o produto é do tipo 2. Também foram adquiridos 566 kg do feijão Pantaneiro do tipo 4 como sendo do tipo 1 e mais 4,5 mil pacotes de 1 kg do tipo 2 como se fossem do tipo 1. ‘‘Com relação ao feijão, esse fato pode irá agravar a situação da distribuidora Tawerli porque já existe um inquérito policial’’, disse Arão dos Santos Neto. A prefeitura já enfrentou problemas com a qualidade e peso de arroz, feijão e óleo de soja.

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