Sarandi inicia campanha para construção de nova delegacia
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terça-feira, 30 de maio de 2000
Marcos Zanatta De Maringá 
A Polícia Civil, Judiciário e o Ministério Público de Sarandi (7 km a leste de Maringá) lançaram ontem campanha para construir uma nova delegacia na cidade. A maior preocupação é com a superlotação das seis celas existentes na atual delegacia. Com capacidade para abrigar 16 detentos, a cadeia está com 65 homens e tem um rodízio médio de 80 presos por mês. A saída que discutíamos há dois meses era a intervenção da cadeia, conta o delegado de Sarandi, José Maurício Lima Filho.
Quando assumiu a delegacia, o delegado Lima procurou orientação da juíza Carmem Lúcua Ramajo e da promotora Monica Maciel Gonçalves. A intenção, lembra ele, era interditar a cadeia e acionar o Estado. Mas decidimos convocar as autoridades locais e depois a comunidade para buscar uma alternativa, explica. O poder público e a iniciativa privada aceitaram a proposta. O projeto, orçado em cerca de R$ 35 mil, prevê duplicar a capacidade atual da cadeia.
A obra deve ser erguida no mesmo local onde está a delegacia, na área central da cidade, o que reduz os custos e viabiliza a construção. Serão mais quatro celas, solário, ala correcional e duas galerias. Sarandi dobrou de população nos últimos 10 anos e precisamos acompanhar o crescimento populacional, justifica Lima. Ele calcula que a cidade vai atingir 100 mil habitantes no próximo censo, que começa este ano.
A promotora Mônica Maciel Gonçalves revela que antes mesmo de lançar a campanha, dois empresários já doaram materiais. A comunidade entendeu que da forma como a cadeia está é um risco para toda a cidade. Mônica reclama também da manutenção de presos condenados na cadeia, o que agrava ainda mais o problema de superlotação.
O detento tem que pagar pelo crime, mas não de forma desumana como está acontecendo aqui, explica. O Judiciário vai auxiliar na campanha transformando todas as penas alternativas em recursos para a obra.
A mesma situação da delegacia, segundo a promotora Mônica, acontece no Fórum de Sarandi. O prédio é improvisado, sem condições de atender a demanda, e apesar dos mais de 6 mil processos em andamento existe apenas uma vara, com uma juíza e uma promotora. Estamos com a mesma população e volume de processos de Paranavaí, que tem cinco juízes e cinco promotores, além dos substitutos, compara Mônica. Mas o desempenho do judiciário em Sarandi é considerado acima da média na área criminal.


