Sarandi faz cortes para economizar
Marta Medeiros
De Maringá
Especial para a Folha
A falta de dinheiro obrigou a Prefeitura de Sarandi (7 quilômetros a leste de Maringá) a fechar por tempo indeterminado o Departamento de Assistência Social. O serviço gastava cerca de R$ 30 mil por mês em alimentos e remédios distribuídos a famílias carentes. Objetivo é economizar para o pagamento do 13º salário dos 1.500 funcionários do município. O setor de máquinas também está com atividades paralisadas. Situação revela uma nova face de problemas em Sarandi, que recebe uma imigração média mensal de 100 novas famílias vindas principalmente da região Noroeste do Estado.
Segundo o secretário municipal de Administração, Alcides Ferreira, o número de imigrantes é constatado através das ligações de água feitas pela prefeitura. O município detém o serviço de abastecimento. Ele disse à Folha que a situação se complicou neste segundo semestre com o corte de 40% no repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) feito pelo governo federal e queda de 50% na arrecadação de impostos e tributos municipais. A prefeitura está inadimplente com diversos fornecedores e fica proibida de fazer novas contas, acrescentou o secretário.
Ferreira disse que todo o maquinário da prefeitura como caminhões e motoniveladoras estão parados por falta de combustível. O esforço concentrado para a economia pretende reunir R$ 500 mil calculados para a folha de pagamento em dezembro. Se não pagarmos os salários em dezembro, até o comércio da cidade vai sofrer um baque, avisa o secretário.
A prefeitura também quer evitar problemas na área da saúde, cuja infra-estrutura de atendimento é estimada pelo Ministério da Saúde para uma população de 54 mil habitantes, e já ultrapassa a casa dos 80 mil. O secretário disse que, de janeiro a setembro deste ano, o ministério repassou para Sarandi R$ 652 mil, enquanto a prefeitura foi obrigada a investir R$ 1,8 milhão para manter o atendimento de consultas, exames, farmácia e procedimentos de emergência realizados pelo Pronto Socorro Municipal.
Para o secretário, o município precisa buscar outros parâmetros para tentar ampliar o repasse de verbas. Os órgãos federais justificam repasses pelo número do censo, mas nossa população está em outra realidade, disse Ferreira.





