Sarandi desiste de 'privatizar' a água
Marcos Zanatta
Depois de muita polêmica e protestos por parte da população, o sistema de água de Sarandi (7 quilômetros a leste de Maringá) não será mais privatizado. O anúncio foi feito ontem pelo prefeito Júlio Bifon (PSDB). No final do ano passado ele chegou a ser agredido por manifestantes que não aceitavam a privatização. O abastecimento é administrado pelo município, através de 36 poços artesianos que atendem 17 mil ligações. O problema, segundo Bifon, é a falta de recursos para melhorar o sistema.
O projeto de privatização da água, de autoria do Executivo, começou a ser votado pela Câmara em junho do ano passado. Durante a primeira votação, manifestantes foram retirados do plenário por policiais militares. Sete foram presos e os vereadores aprovaram o projeto. Os protestos continuaram, inclusive com a agressão ao prefeito, que saiu de casa para encontrar os manifestantes na avenida Londrina, a principal da cidade.
Com a opinião pública contrária, os vereadores de oposição conseguiram, no início do ano, rejeitar o projeto. A prefeitura entendeu que, como a aprovação tinha sido por dois terços, a rejeição por maioria simples não era válida. O processo de licitação foi cumprido com a venda de nove editais. Apenas três empresas apresentaram propostas. Uma foi desclassificada na primeira fase e as outras duas na segunda etapa, de análise do projeto técnico. Nenhuma apresentou um projeto de acordo com a nossa proposta para melhorar o sistema, disse Bifon à Folha, ontem.
Ele explica que Sarandi tem cerca de 17 mil fossas sépticas, e que o encanamento na área central é de ferro. O encanamento é antigo e o risco de rompimento e contaminação da água é muito grande, afirmou. O prefeito disse ainda que o grande número de fossas compromete a segurança de todo abastecimento, que é feito com água de poços perfurados em vários pontos da cidade. Seriam necessários R$ 5 milhões para melhorar todo sistema, calculou.
Sem a privatização, a prefeitura vai tentar viabilizar um empréstimo de pelo menos R$ 2 milhões para melhorar o abastecimento nas áreas mais críticas e instalar esgoto em 20% dos domicílios. Hoje menos de 4% das residências têm o serviço. Segundo Bifon, falta infra-estrutura para melhorar o sistema. Os poços são suficientes e o município já tem emissários e lagoa de esgoto. Faltam reservatórios para a água e equipamentos para o esgoto.





