Cerca de 150 pessoas invadiram o plenário da Câmara de Vereadores de Sarandi (7 km a leste de Maringá) ontem de manhã, em protesto contra a votação do projeto que autoriza a Prefeitura a conceder a exploração do serviço de abastecimento de água para a iniciativa privada. A sessão foi suspensa e os manifestantes foram retirados por cerca de 30 policiais militares. Sete pessoas foram presas e a maioria dos manifestantes afirmou que os policiais usaram de força no momento da desocupação da Câmara. A polícia impediu o acesso da imprensa ao local durante a retirada dos manifestantes.
A concessão para exploração do abastecimento de água será feita por licitação pública e terá validade por 20 anos. O projeto é de autoria do prefeito Júlio Bifon (PSDB) e foi aprovado em primeira discussão pelos vereadores, segunda-feira, por 10 votos contra 5.
Marcos NegriniSegurançaPoliciais militares armados foram chamados pela presidência da Câmara para garantir a votaçãoApesar do tumulto na parte da manhã, os vereadores acabaram aprovando o projeto em segunda discussão ontem à tarde. A segunda votação foi realizada às 15 horas com a presença de aproximadamente 15 policiais protegendo o plenário. Os manifestantes voltaram a lotar a Câmara e tentaram convencer os vereadores a votar contra o projeto. O projeto acabou sendo aprovado por 10 votos contra quatro.
‘‘Os vereadores representam o povo mas não perguntaram para nós se queremos a privatização’’, disse Reginaldo Barbosa, 25 anos, um dos manifestantes. A estudante Daiane dos Santos Moraes, 17 anos, estava indignada com a aprovação do projeto. Ela afirmou que foi agredida por uma policial durante a desocupação da Câmara. ‘‘Os policiais chegaram e foram empurrando a gente à força. Teve policial que segurou os manifestantes pelo pescoço para impedir que eles gritassem por socorro’’, disse.
O segundo tenente Marcio Antonio desmentiu a versão dos manifestantes e disse que a retirada foi pacífica. Ele negou também que os policiais impediram a entrada dos profissionais da imprensa durante a retirada dos manifestantes. ‘‘Eu comandei a operação de retirada e desconheço estas denúncias’’, afirmou.
Na Delegacia de Polícia Civil, para onde foram levados os sete manifestantes presos, um policial militar também impediu a entrada da imprensa. Depois de quase duas horas, o delegado de Sarandi, José Aparecido Jacovós convocou a imprensa e disse que iria libertar os manifestantes após a abertura de termo circunstanciado. ‘‘Para o crime de ameaça aos vereados que os manifestantes são acusados não cabe prisão em flagrante’’, disse Jacovós. De acordo com o boletim de ocorrência da PM, o pedido de retirada dos manifestantes durante o recesso dos vereadores foi feito pela Justiça.
O presidente da Câmara Cilas Souza Moraes (PPB) confessou que pediu reforço da PM para controlar os manifestantes e que a assessoria jurídica da Câmara teria pedido para a Justiça a ordem de retirada pela polícia.
Sucata O município de Sarandi tem 70 mil habitantes e cerca de 16 mil ligações de água e 35 poços artesianos. O abastecimento atualmente é feito pela Prefeitura Municipal. O prefeito, Júlio Bifon (PSDB) alega que o sistema está sucateado e que o município não tem recursos para investir na ampliação e melhoria da rede. Um dos principais, conforme o prefeito, é que a população é carente e a inadimplência chega a 30%.
Uma das cláusulas do projeto, prevê que a empresa vencedora da licitação para explorar o sistema deve investir R$ 27 milhões em obras de expansão e recuperação das ligações de água.

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