Desde a realização da campanha contra o sarampo, que vacinou a população jovem de Curitiba e outros oito municípios da Região Metropolitana, há um mês, a Secretaria Estadual da Saúde registrou apenas um caso da doença. Anteriormente, o Estado caminhava para uma epidemia notificando entre 40 e 50 casos por mês na região. Apesar do resultado alcançado, a secretaria ainda não sabe o que provocou o grande número de reações adversas à vacina tríplice viral.
Ontem, as secretarias da Saúde de Curitiba e do Estado enviaram à Promotoria de Defesa da Saúde Pública as respostas complementares que serão anexadas à investigação que vem sendo feita pelo Ministério Público sobre a vacinação. O material será analisado hoje pelo promotor Ivonei Sfoggia.
De acordo com o secretário estadual da Saúde, Armando Raggio, que visitou ontem a redação da Folha, até o momento a secretaria notificou cerca de 1.530 reações. A secretaria diz que todas os sintomas apresentados eram benignos, apesar de terem se mostrado como doenças graves. Segundo Raggio, o que não se sabe é se todas as reações foram provocadas pela vacina ou se as pessoas desenvolveram a doença de outras formas.
O secretário destacou que as reações adversas à tríplice viral atingem entre 1% a 4% da população vacinada, e que o número registrado no Paraná está dentro do quadro considerado normal. Segundo ele, o que chama a atenção é que as reações acabaram ficando concentradas, já que a vacinação foi feita em massa. Nos nove municípios, pouco mais de 800 mil pessoas receberam o medicamento. Mesmo assim, a secretaria está solicitando o apoio da Organização Panamericana de Saúde para descobrir o que provocou as reações.
O caso mais grave notificado foi o do garoto Ederson Pinheiro Ribeiro, 15 anos, de Araucária. Ele morreu no último dia 16, no Hospital Evangélico, em Curitiba, com hemorragia intracraniana. Ontem, a secretaria voltou a divulgar um novo exame que aponta a causa da morte do estudante. Segundo Maria Angélica Cerveira, chefe do Centro de Epidemiologia, foi descartada qualquer relação da morte com a reação vacinal. ‘‘Exames do líquor (líquido da espinha) não apontaram causa viral e sim uma discreta infecção bacteriana’’, garante. O próprio Hospital Evangélico também realizou outro exame do líquor. Segundo Maria Angélica, o resultado é igual ao da secretaria.

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