Geraldo Lopes era desses personagens típicos da Vila Nova, segundo bairro fundado em Londrina, depois da Vila Casoni (ambos na Área Central). A Rua Araguaia cresceu, virou passagem diária de milhares de veículos e pedestres, mas o sapateiro de 77 anos resistiu à modernidade e manteve-se não apenas na profissão quase extinta, mas na mesma oficina fundada há cerca de 40 anos.
''Tem que ser muito querido pra sobreviver trabalhando no mesmo lugar por tanto tempo'', observou o amigo e presidente da associação do bairro, Manoel Granado Ramirez, 73 anos.
Mais de uma vez o pioneiro figurou em reportagens da Folha. Na última, publicada em agosto deste ano, Lopes lembrou que aprendeu o ofício de sapateiro com um amigo. Trabalhou de empregado e investiu em maquinário até conseguir abrir sua própria sapataria, na Rua Araguaia. Sobre o futuro da profissão, declarou: ''Se acabar vai ser por falta de gente nova, não de freguês''. Lopes seria enterrado ontem, no Cemitério São Pedro (Centro de Londrina). (V.N.)

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