Não há paciência que resista. Com pistas remendadas, obras intermináveis e um lago que está dando lugar ao lodo, o Parque São Lourenço, em Curitiba, não é o mesmo mostrado em cartões postais do passado. Os frequentadores da bucólica área de 204 mil metros quadrados têm de redobrar a atenção nas caminhadas e corridas, pois um tombo pode ser uma ameaça no passo seguinte. Por causa das obras de instalação de esgoto, o movimento de frequentadores baixou.
‘‘Com a desculpa de fazer esgoto, eles estão há mais de um ano cerceando o direito de uso do parque’’, reclama o engenheiro florestal Helio Fagundes, 52 anos. Irritado com o precário estado de conservação, Fagundes disse que daria nota 1,5 para a manutenção do São Lourenço. Na entrada dos fundos do parque, uma cena de improvisação flagrante comprova o aborrecimento de Fagundes. Cerca de sete metros de pista foram cobertos com pedregulhos. ‘‘É para os usuários evitarem o uso da pista de caminhada’’, diz ele, reforçando as críticas.
O diretor de Parques e Praças da Secretaria Municipal do Meio-Ambiente, Reinaldo Piloto, diz que a pista de cooper só receberá asfaltamento novo quando as obras de execução do esgoto, que passa no São Lourenço, forem concluídas pela Sanepar. Os buracos foram abertos pelo tráfego pesado de caminhões que trabalham na obra. Piloto afirma que o parque possui pistas ‘‘muito antigas’’, abertas ainda na inauguração do local, no começo da década de 70. Piloto reconhece que o movimento de pessoas no parque caiu por causa das obras. No entanto, ele diz que estas são necessárias para o ‘‘bem de toda a coletividade’’.
Mesmo que o clima seja de reformas, a desinformação sobre os serviços pegou alguns frequentadores desprevenidos. ‘‘O parque está em reparos há muito tempo, mas ninguém sabe por que o lago foi esvaziado’’, questiona a funcionária pública Margarete Brusamolin, 36 anos. Sua amiga Sônia Maria Freitas, 45 anos, também funcionária pública, diz que o São Lourenço se transformou ‘‘numa mistura de pedras, terra e lama’’.
O esvaziamento da lagoa, segundo o diretor Reinaldo Piloto, foi provocado pelo rompimento das comportas de madeira que regulam o nível da água. Uma comporta de metal deve ser instalada ainda esta semana, afirma Piloto. Meio água, meio lama, o lago também desperta preocupação quanto à sobrevivência dos peixes. A desenhista industrial Maria Angela Nering Santos, 34 anos, diz que que eles sofrem e muitos são vistos encalhados no lodo.
A estudante búlgara Maria Angelova, 21 anos, mas há seis anos morando nos Estados Unidos, conheceu o Parque São Lourenço ontem. Em visita ao Brasil pela primeira vez, disse que achou Curitiba bastante limpa, um povo ‘‘legal’’, mas observa a presença de cachorros soltos pelo parque, a água suja do lago e um acúmulo bastante grande de pedras num dos trechos da pista de caminhadas. No entanto, diz que pretende voltar ao Brasil mais vezes.

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