São José da Boa Vista A chuva forte que atingiu a cidade de São José da Boa Vista (136 km ao sul de Jacarezinho) na noite de domingo derrubou pelo menos 41 pontes de estradas rurais e deixou cerca de 50 famílias desabrigadas. As famílias tiveram que ser levadas para a casa de parentes e para o Centro Social, onde ficaram alojadas até ontem pela manhã. O prefeito decretou estado de emergência porque a cidade está isolada. Estradas rurais estão intransitáveis e impedindo o escoamento da produção agrícola.
De acordo com o sargento do Corpo de Bombeiros, Manoel Correa de Lima Filho, ninguém ficou ferido, mas os prejuízos foram grandes. Os bairros mais atingidos foram a Vila Formosa, onde 20 casas foram parcialmente destruídas e pelo menos 20 pessoas ficaram desalojadas, e a Vila Nossa Senhora da Aparecida, que deixou outros 30 moradores desabrigados. Na Vila Formosa, três casas tiveram que ser demolidas por apresentarem risco aos moradores.
Uma vistoria feita em 21 pontes, ontem pela manhã pelo Corpo de Bombeiros, constatou que oito delas foram levadas pela enxurrada. ''As demais terão que passar por reformas'', afirmou o sargento, sem determinar prazos para o término da vistoria. ''O município tem 96 pontes sobre riachos, com extensão de 10 a 12 metros e outras de 20 a 25 metros. As maiores e mais importantes foram arrastadas pela força da água.''
O sargento informou que houve destruição da mata ciliar e queda de árvores centenárias. ''Foi uma chuva muito forte, que começou às 3 horas da manhã e se estendeu até as 9 horas. A quantidade de água foi muito grande''. Segundo o prefeito, medidores da Sanepar indicaram um total de 240 mililitros de água por metro quadrado só no domingo, quantidade esperada para o mês inteiro. Ontem voltou a chover forte no município.
O prefeito Dilceu Bona, que decretou estado de emergência no município, afirmou que não tem condições físicas nem financeira para recuperar os estragos. ''A prefeitura tem apenas duas caçambas e uma pá carregadeira. A Defesa Civil e o DER estão ajudando, mas a ajuda não é suficiente.'' Bona estima que vai levar pelo menos dois meses para recuperar totalmente o município.
O município, que vive basicamente do setor agropecuário, perdeu três mil hectares de soja, milho e feijão, que foram arrastados pela chuva. A coleta de leite que chega a 25 mil litros por dia foi de apenas 4 mil ontem. ''Os produtores estão jogando leite fora'', afirmou o prefeito. A produção do bicho da seda também foi afetada. De acordo com Bona, os criadores que entregariam o produto daqui a 15 dias, não terão como sair das proriedades.

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