Curitiba - Há seis anos um grupo de foliões de santos reis de Ribeirão do Pinhal realiza em Curitiba no mês de outubro uma Folia de Reis fora de época junto com familiares e amigos que vivem na capital e região. No último feriado, 50 pessoas lotaram um ônibus com destino a Curitiba onde se reuniram com outros 150 foliões para a cantoria que é uma prévia da festa do mês de janeiro, realizada em Ribeirão do Pinhal há 69 anos.
Durante todo o feriado cantadores, bastiões e bandeireiro visitaram as casas de amigos, familiares e vizinhos na capital e em Araucária, São José dos Pinhais, Colombo e Pinhais, municípios da Região Metropolitana de Curitiba. ''A gente faz em outubro aqui para em janeiro estarmos lá. É para treinar a cantoria e não deixar morrer a tradição'', explica um dos organizadores da festa, João Carlos Camargo.
Os foliões de Ribeirão do Pinhal começaram a fixar residência em Curitiba e região com suas famílias a partir de 1975. ''E ainda tem gente vindo de lá pra cá. O último veio em julho de 2007'', conta o embaixador (aquele que improvisa os versos durante a cantoria), Elio Marcimino Lisboa. ''Vamos nas casas da família, dos próprios parentes, dos próprios foliões. E quando algum vizinho pede a gente inclui a casa dele'', completa Lisboa.
A festa de encerramento aconteceu na tarde de domingo, no salão de festas da Igreja da Vila Fanny, na capital. E durante o encontro os foliões definiram o roteiro da próxima Folia de Reis em Ribeirão do Pinhal, que é realizada no Distrito de Jacutinga.
Personificando Bastião (um tipo de palhaço) do grupo, Leonidas Otavio participa da festa há 48 anos e vê a Folia fora de época como um incentivo para que os mais jovens se interessem pela tradição, que remete à visita dos três reis magos ao menino Jesus. ''É uma raiz que está brotando aqui. Lá não está tendo muito interesse. Primeiro brigavam para cantar, agora falta cantador. Tem dia que não tem palhaço'', lamenta o veterano.
Para Weliton Ricardo Lisboa, de 25 anos, folião desde os sete, os mais jovens ''não querem levar a coisa a sério''. ''Têm aquela visão que é coisa de velho'', avalia. Mas se depender dele e da irmã Patricia, de 18 anos, a Folia não deve morrer logo. ''Acho importante continuar essa tradição. Tem bastante jovem que vem por causa da festa'', afirma Patricia.

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