Santos, comida e frango vivo no pós-Finados
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de novembro de 2004
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
Imagens de santos quebrados, vasos, comida e bebida fazem parte das 85 toneladas de lixo que a Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf) espera retirar dos cinco cemitérios municipais após o Dia de Finados. A pesagem poderia ser um pouco maior se nestes números fossem incluídos animais vivos deixados pelos visitantes nos cruzeiros, no feriado que também é conhecido como Dia dos Mortos. A operação de limpeza começou ontem e deve se estender por 10 dias, de acordo com estimativas do superintendente da Acesf, Sérgio Plínio.
O Cemitério João XIII, na Área Central de Londrina, foi o primeiro a receber o mutirão de limpeza da Acesf. A equipe, no entanto, foi reduzida de 10 para quatro funcionários, pois a chuva que caiu sobre a cidade nesta sexta-feira dificultaria o trabalho. ''Reduzimos a equipe porque, com o piso molhado, a varrição não pode ser feita. Então mandamos somente quatro funcionários, para que eles organizem o lixo e comecem a limpeza, de fato, na próxima segunda-feira'', disse Plínio.
Entre o material que é retirado, o varredor Rogério Lettiere, do Cemitério São Pedro (Área Central), cita imagens de santos, comida, bebida e até frangos vivos como os mais curiosos. ''Tem gente que deixa carne com pimenta. Não sei se é para a gente ou para os gatos não pegarem'', brincou. ''Mas já cheguei a retirar um frango vivo, cheio de agulhas enfiadas no corpo e com os olhos furados, que havia sido largado aqui em um Dia de Finados. Acho que é macumba'', opinou.
No entanto, para Lettiere, o mais trabalhoso é a retirada dos vasos de flores, realizada cerca de 10 dias depois do feriado. No São Pedro, ele acredita que pelo menos 60 mil vasos sejam deixados nos túmulos a cada feriado. ''Temos que esperar as flores secarem, senão os donos ficam bravos'', explicou, destacando ainda que não há riscos de infestação por dengue, já que agentes da Secretaria de Saúde passam periodicamente pelos cemitérios para verificar os vasos e aplicar veneno. ''Os vasos são realmente problemáticos. Tem gente que joga atrás dos túmulos. Fica difícil de limpar'', disse. o funcionário do João XIII, José Carlos Alves.
Plínio espera que o tempo na cidade melhore até a próxima segunda-feira e que, com isso, os trabalhos ganhem agilidade. ''Se o sol voltar, a limpeza deve ser concluída em 10 dias'', calculou. A parafina das velas, segundo Plínio, também é retirada e vendida para fabricantes da região. O superintendente da Acesf não soube estimar o quanto é possível arrecadar com as vendas, mas disse que o dinheiro é aplicado na própria administração. Os próximos cemitérios a receberem o mutirão são o São Pedro, São Paulo e Padre Anchieta (ambos na Zona Leste) e Jardim da Saudade (Zona Norte).


