Santo Inácio planeja repatriar acervo
Londrina - Apenas uma pequena parte do material retirado do sítio arqueológico de Santo Inácio está no museu da cidade. O local foi escavado oficialmente duas vezes. Uma, na década de 1960, pela equipe do Museu Paranaense. E outra, na década de 1970, por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR). As peças recolhidas foram encaminhadas para as duas instituições na Capital.
O museu de Santo Inácio, localizado em frente à prefeitura, é muito pequeno e conta com estrutura precária. O município quer transformá-lo em referência arqueológica, quando for indenizado pela Duke Energy, empresa sucessora da Companhia Energética de São Paulo (Cesp). A companhia precisa compensar Santo Inácio pela construção do lago da hidrelétrica de Taquaruçu, que inundou 60% do sítio arqueológico local.
"Dentro das medidas mitigatórias a serem implantadas pela Duke, está a construção de uma nova sede para o museu, de modo que possamos repatriar o acervo que está em Curitiba", conta a arqueóloga Josilene Aparecida de Oliveira. A intenção, segundo ela, é concentrar em Santo Inácio todo material sobre as reduções jesuíticas.
Josilene diz que, antes da UFPR e do Museu Paranaense, o sítio foi explorado, ainda no século 19, pelos irmãos Keller. Eram franceses que estavam identificando a navegabilidade dos rios. "Passaram no Paranapanema e viram os vestígios da redução e da colônia indígena. A partir disso, temos notícia da retirada de material aqui de Santo Inácio para exposição antropológica", afirma.
Os primeiros moradores da cidade, que começou a ser colonizada em 1924, também exploraram o sítio arqueológico. "Eles viviam em casa de madeira no meio do mato. Começaram a achar tijolos e telhas. Não havia olaria na época, era material produzido na fase das reduções. Essas peças foram reaproveitadas pelos novos moradores", conta.
A arqueóloga mostrou à reportagem um cambuxi bem preservado, recolhido por um morador em 1938 e doado ao museu em 2010. "Seu Eduardo Alcântara estava roçando a mata, quando se deparou com a vasilha, que é de 500 anos atrás", afirma. Outro morador, Benedito Alves de Almeida, era um "pesquisador curioso", que também recolheu muito material. Falecido em 2002, sua família doou 1,2 mil peças ao museu.
Além de construir uma nova sede para o museu, a arqueóloga espera poder realizar novas escavações. "Quando o lago (do reservatório da hidrelétrica) esvazia, a gente consegue ver os fragmentos na barranca. Tem muita coisa para tirar dali ainda", explica. (N.B.)





