Santo Antônio da Platina - O acordo Taubaté, que restringia o plantio de café nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro por causa da superprodução, ajudou, e muito, a formação do Norte Pioneiro do Paraná. Santo Antônio da Platina foi uma das cidades que cresceu com o acordo. Milhares de cafeicultores frustrados em seus estados mudaram-se para a cidade com esperança de um futuro melhor em meados de 1880. As adversidades encontradas pelos pioneiros foram muitas. Mas graças a esses ''guerreiros'' o município completa hoje 96 anos de emancipação política.
Domingos Rodrigues de Morais foi um dos pioneiros. O cafeicultor partiu da mineira Itajubá, em 1914, atrás de uma melhora de vida para sua família. ''Viver naquela época era sacrificado. Tinha fartura, mas não tinha exportação e isso dificultava muito a vida. Por causa da Primeira Guerra Mundial até o querosene foi racionado''. A declaração é de Joaquim Rodrigues de Morais, 86 anos, neto de Domingos.
Joaquim relembra que, em 1929, nem a ponte do Rio Jacaré existia e o trem só chegava até Ourinhos, interior de São Paulo, e transportava somente carga. As sacas de café, nas palavras de Joaquim, eram carregadas nas carroças de boi. E as demais negociações eram feitas em Ourinhos, inclusive os empréstimos para a lavoura.
As casas eram feitas de pau a pique e cobertas de sapê ou barro. ''Quem quisesse uma casa de madeira tinha que cortar as enormes perobas no serrote. As tábuas eram grossas e todas irregulares, bem diferentes das casas de tábua que se vê hoje em dia'', descreve.
Enxadas, pé de bode, machado e outras ferramentas utilizadas para o desbravamento do município vinham de longe, eram importados da Itália e da Alemanha. ''Quando faltava dinheiro para o querosene, o candeeiro era abastecido com azeite de mamona ou gordura de porco.''
A dificuldade financeira foi o que mais marcou a vida de Joaquim, que até sonhava em ser médico. ''Eu tinha vontade de estudar, mas não podia. Com sete anos meu pai já me levava para a lida e eu já puxava enxada e assim foi por toda a vida'', conta.
Prata
De acordo com a história relatada no livro ''O Paraná e seus Municípios'', o nome Santo Antônio da Platina é atribuído a três famílias pioneiras: Pedreiro, Messias e Albano. Em todas elas havia pessoas chamadas Antônio, devotas de Santo Antônio. Quando chegaram ao município depararam-se com uma água clara, límpida, cujos fios brilhavam com os raios de sol e se assemelhava a prata, batizaram-na então com o nome de Santo Antônio da Platina. Joaquim Rodrigues de Morais conta ainda que o nome se deu também por causa de uma empresa, a Platina Melhoramentos. Em 1914, através de uma lei estadual, foi decretado o município de Santo Antônio da Platina, com território desmembrado de Jacarezinho.

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